O que é blockchain?

Para entender realmente como o Bitcoin funciona e acabar de vez com as dúvidas sobre a sua segurança, é fundamental que você entenda o que é blockchain. Conhecer como a blockchain funciona vai te dar a base para entender por quê o bitcoin representa um potencial tão grande para um novo sistema financeiro e porque ele pode ser considerado o investimento do século para quem chegar rápido o bastante.

 

O que é e como funciona o Blockchain?

 

O Blockchain é a tecnologia que esta por trás do Bitcoin e que permite a sua existência de modo descentralizado. Por meio da blockchain é que são realizadas as transações com bitcoin sem a necessidade de nenhum intermediário como um banco, corretora, instituição financeira qualquer ou governo.

Para que seja possível realizar transações sem nenhum intermediário, os próprios usuários do bitcoin devem validar as transações. Os usuários que engajam ativamente na atividade de validação de transações na blockchain são chamados de mineradores de bitcoin, pois têm a chance de ganhar bitcoins com essa validação.

Para que a integridade do sistema seja garantida, o blockchain possui um livro razão com todas as transações gravadas desde o início do bitcoin. Essa livro razão é público, podendo ser acessado e, inclusive, salvo como cópia por qualquer um que queira. Cada vez que uma nova transação é realizada, os mineradores começam o processo de validação, basicamente competindo entre si para solucionar uma equação matemática complexa, mas que é bastante fácil de ser verificada.

Uma vez que um minerador resolva a equação, a transação é validada e ele recebe uma taxa de transação pelo seu trabalho, que irá variar de acordo com o volume da transação e outros fatores. Se, ao contrário, esse minerador tentar fraudar o sistema, validando uma transação que não deveria ser validada, outros mineradores podem facilmente verificar que a operação esta incorreta e invalidá-la o que, em essência, faz com que o fraudador apenas tenha um alto custo em termos de capacidade computacional e eletricidade desperdiçadas.

 

Por quê o blockchain é tão seguro?

 

Muitas pessoas têm uma certa dificuldade para confiar no bitcoin exatamente por não entender o por quê do blockchain ser tão seguro. Essa é uma postura engraçada, porque, na verdade, a blockchain que esta por trás do bitcoin torna as transações muito mais seguras do que as próprias transações bancárias que você faz todos os dias.

O que é blockchain

O motivo principal para isso é muito simples: Na blockchain, cada transação é automaticamente ligada a transação anterior e cada bloco – formado a cada 500 transações – também é ligado ao bloco anterior. Com isso, um possível invasor deve quebrar a criptografia não somente de uma única transação ou bloco, mas sim de todos os blocos pertencentes a corrente, pois, caso contrário, é muito fácil para que qualquer integrante da rede perceba que uma transação foi alterada ao compará-la com a transação imediatamente anterior.

Entretanto, quebrar a criptografia de todos os blocos da blockchain e fazê-lo de modo simultâneo é uma tarefa tão matematicamente improvável que podemos considerá-la impossível (Veja mais sobre como os hashs do bitcoin funcionam).

Se compararmos esse processo com o necessário para invadir qualquer sistema bancário, é fácil perceber o quanto o blockchain é seguro. Enquanto uma invasão ao sistema do banco pode ser feita de modo sorrateiro, alterando uma transação qualquer e transferindo para a conta do invasor, na blockchain isso é impossível, já que a invasão só pode ser bem sucedida se atacar simultaneamente todas as transações já realizadas na rede desde o seu início e alterá-las de acordo para que a invasão não seja percebida.

 

A importância do Blockchain

Além da segurança adicional, o blockchain é o que permite as transações descentralizadas do bitcoin, abrindo caminho para a construção de um sistema financeiro alternativo, livre de intermediários que muitas vezes não prestam serviços satisfatórios e são constantemente favorecidos pelos governos via emissão descontrolada de moeda, como usualmente ocorre com os grandes bancos e instituições financeiras.

Sem a blockchain, o bitcoin talvez fosse apenas mais uma entre tantas outras criptomoedas. Com essa tecnologia, entretanto, o valor do bitcoin aumenta exponencialmente, criando as bases para que essa moeda digital realmente se torne o dinheiro do futuro.

 

 

O que é bitcoin?

Bitcoin

Ao longo dos últimos anos, uma febre tem tomado conta de investidores, especuladores e até mesmo curiosos de todo o mundo que se animaram com o rápido crescimento e valorização do bitcoin e buscam se beneficiar disso de alguma forma.

Mas o que é bitcoin de fato? Quais são os fundamentos por trás dessa criptomoeda que tem feito ela se expandir tão rapidamente? Ou será que não passa de um scam como muitos afirman, incluindo o megainvestidor Warren Bufet?

É sobre isso que iremos falar hoje, então, se você sempre quis entender melhor a respeito do bitcoin mas nunca encontrou um único lugar que reunisse todas as informações relevantes, então prepare-se para aprender mais sobre bitcoin nos próximos minutos do que na sua vida inteira!

 

Bitcoin: O início da Era do dinheiro digital

 

Em 1 de novembro de 2008, um programador desconhecido usando o pseudônimo Satoshi Nakamoto enviou um email para uma lista de entusiastas da criptografia anunciando que havia criado o primeiro sistema de dinheiro eletrônico totalmente peer-to-peer, sem a necessidade de interferência de nenhuma parte intermediária para transacionar. Ele enviou também uma cópia do documento onde explicava todo o design e funcionamento da nova moeda digital, além de um link para onde o documento se encontrava hospedado online.

Na prática, o que se tinha era um novo sistema de pagamentos online, com sua própria moeda digital e baseado em um método sofisticado de autenticação e verificação de todas as transações que ali ocorriam pelos próprios membros do sistema, tornando desnecessária a existência de uma terceira parte para atuar como intermediária, papel geralmente desempenhado pelos bancos no sistema de pagamentos tradicional baseado no papel moeda.

Além disso, a moeda em questão era emitida seguindo um rígido sistema programado no próprio algoritimo e usada para recompensar os membros da rede por cada transação corretamente verificada. Desse modo, o sistema da nova moeda digital tinha um mecanismo embutido que evitava a sua perda de valor devido a uma possível inflação caso um número excessivo de moedas fosse emitido.

Inicialmente, o sistema se tornou apenas um nicho minúsculo, com apenas alguns poucos entusiastas da criptografia e curiosos de modo geral integrando a rede nos meses seguintes ao seu lançamento, fazendo com que o bitcoin se torna-se praticamente, até aquele momento, apenas uma moeda colecionável, sem qualquer valor real. Foi então que o jogo começa a mudar a partir de outubro de 2009 – quase um ano após o lançamento – quando uma bolsa de valores online vende 5.050 bitcoins por um valor de de 5.02 dólares.

A partir daí o bitcoin deixa de ser apenas uma moeda obscura e passa a adquirir valor econômico real, pois a situação mostrava que haviam pessoas dispostas a pagar dinheiro para adquirir a moeda. O interessante é que o valor da transação de pouco mais de 5 dólares foi calculado tendo em vista o custo da eletricidade para minerar a moeda naquele momento.

Pouco tempo depois, em 22 de maio de 2010, alguém comprou duas pizzas de $25 utilizando 10.000 bitcoins, efetivamente transformando o bitcoin de um bem econômico comum (representado pela eletricidade consumida na sua mineração) para um meio de troca por outros bens econômicos, adquirindo, assim, pela primeira vez, o status de moeda.

Desde então, o bitcoin vem crescendo exponencialmente no número de transações realizadas, de usuários e do poder de processamento dedicado à manutenção da rede ao longo do mundo, tendo, com isso, aumentado rapidamente de valor, saindo dos 0.1 centavo de dólar por bitcoin (representado pela compra de 5000 bitcoins por 5 dólares pela bolsa de valores online) até chegar, atualmente a quase 10.000 dólares em julho de 2020.

 

Como funciona o bitcoin?

 

Para entender como funciona o bitcoin, é essencial entender como funciona a rede de pagamentos que esta por trás do bitcoin e que dá sustentação a todas as operações realizadas. Essa rede se baseia na tecnologia blockchain e é o que permite um sistema de pagamentos totalmente seguro e absolutamente independente de qualquer intermediário entre as partes para ser concretizado, isso porque é a própria rede de usuários do bitcoin, coletivamente considerada, que valida as transações entre quaisquer dois membros em um dado momento.

Bitcoin

O Blockchain

A tecnologia de blockchain permite a manutenção de um registro único de transações, de modo seguro e criptografado, que é compartilhado por todos os membros do sistema, e que só pode ser alterada quando a maioria dos membros, através do seu computador (um node na blockchain), valida a transação. Desse modo, qualquer tentativa de ataque ao sistema não pode ser concretizada com a invasão a um único servidor ou conjunto de poucos servidores, mas deve ser feita pela invasão simultânea de todas as máquinas que compõem o sistema do blockchain e, caso um única máquina no sistema seja invadida, todas as outras se fecham automaticamente, invalidando a transação e impedindo que o invasor obtenha seu objetivo, tornando virtualmente impossível que o sistema de pagamentos utilizado pelo bitcoin seja invadido.

O Blockchain se tornou mais conhecido devido ao bitcoin, porém é uma tecnologia extremamente inovadora com largas possibilidades de aplicação em diversas outras indústrias. Essas outras aplicações, entretanto, não são objeto desse artigo.

 

Os fundamentos do Bitcoin

 

Para entender por quê o bitcoin se tornou a principal criptomoeda e vem crescendo cada vez mais, sendo tida por muitos como o dinheiro do futuro, precisamos primeiro entender o que faz de uma moeda uma boa moeda, ou seja, quais são os fundamentos econômicos que separam o bom dinheiro do mal dinheiro.

A salabilidade

Para isso, podemos usar o conceito de salabilidade de Carl Menger, um dos pais fundadores da Escola Austríaca de economia. Um bem tem salabilidade, segundo Menger, se é possível vendê-lo no mercado a qualquer momento que se queira sem que, dessa transação, decorra desvalorização imediata para o bem, apresentando assim, um altíssimo grau de liquidez.

Como funciona o bitcoin
Carl Menger, um dos pais fundadores da escola austríaca de economia e inspiração de Ludwig Von Mises

Para estar apto a ser utilizado como meio de troca, um bem precisaria possuir salabilidade em três esferas simultanemante: Escala, espaço e tempo.

A salabilidade em escala significa que o moeda escolhida precisaria ser altamente divisível, de modo a poder servir de unidade de medida para os diferentes bens econômicos, dos mais baratos aos mais caros.

A salabilidade no espaço se referia a capacidade de mover a moeda escolhida ao longo de grandes distâncias com relativa facilidade.

A salabilidade no tempo, por fim, era a capacidade da moeda escolhida de manter o seu poder de compra relativamente estável ao longo do tempo, funcionando verdadeiramente como uma reserva de valor.

Ao longo de muito tempo durante a história da humanidade, o ouro desempenhou o papel de meio de troca justamente por apresentar todas essas características, em especial a salabilidade no tempo, mantendo-se relativamente estável em seu poder de compra ao longo de milênios.

Essa capacidade do ouro se deu especialmente pela sua relativa escassez na crosta terrestre e pela sua propriedade química intrínseca que lhe torna praticamente indestrutível, o que basicamente faz com que o estoque de ouro atualmente existente no mundo seja a soma de todo o ouro já produzido pela humanidade desde há muitos milênios atrás, o que faz com que as quantidades de ouro produzidas anualmente sejam muito pequenas em relação ao estoque total (apenas 1,5% a 2%), evitando um aumento expressivo e repentino na oferta de ouro que poderia ocasionar a sua desvalorização.

O Bitcoin tem o potencial de ser o ouro do futuro, possuindo muitas de suas vantagens tradicionais, além de alguns benefícios extras muito interessantes. O bitcoin possui grande salabilidade no espaço, ainda maior do que o ouro, já que pode ser transferido para pessoas em qualquer lugar do mundo sem que seja necessário o seu transporte físico.

O Bitcoin também possui grande salabilidade em escala, já que uma única unidade pode ser dividida em até 1 milhão de partes iguais, conhecidas como satoshis – em homenagem ao pseudônimo do criador – e equivalentes, portanto, a 0,0000001 BTC. Desde modo, mesmo bens de baixo valor podem ser adquiridos facilmente por bitcoin.

A salabilidade no tempo, a característica mais importante de uma boa moeda e a grande razão do sucesso do ouro, também é uma característica marcante do bitcoin, já que o algoritimo do btc emite mais bitcoins a uma taxa pré-determinada e já programada desde a sua concepção, até um máximo de 21 milhões de bitcoins. Nesse sentido, podemos até dizer que, a longo prazo, o bitcoin é ainda mais salável no tempo do que o ouro, já que ainda existe muito ouro a ser minerado na crosta e, com o surgimento de tecnologias cada vez mais avançadas, é provável que em algumas décadas a taxa de crescimento do ouro aumente, ainda que de modo moderado, e o estoque total de ouro cresça a essa taxa de modo indefinido ao longo do tempo enquanto o bitcoin atingirá o total de 21 milhões em 2140 e, a partir de então, todo o bitcoin existente no planeta será essa quantia, tornando o bitcoin a moeda mais forte que já existiu.

 

Bitcoin é confiável?

Talvez a dúvida mais comum de qualquer pessoa que passa a conhecer o bitcoin é sobre a confiabilidade do sistema e da moeda. De fato, uma moeda completamente digital, sem nada físico que a represente, parece, em um primeiro momento, algo temerário e altamente vulnerável a alguma falha que possa por em risco todo o sistema.

Essa dúvida é especialmente agravada para quem ainda não conhece muito bem o blockchain, a tecnologia que da suporte a todo o sistema de pagamentos do bitcoin.

Você já usa uma moeda digital!

Apesar disso, é relativamente fácil entender por quê o bitcoin é altamente seguro. Pare e pense um pouco: Será que você já não esta usando uma moeda digital na maior parte do tempo sem nem perceber isso? Quantos pagamentos você faz com o cartão ou através de aplicativos e transferências bancárias? Sim, eu sei, você vai dizer que o dinheiro esta lá e você pode sacá-lo se quiser, o que é parcialmente verdade.

Talvez você nunca tenha parado para pensar nisso mas o sistema bancário é organizado com base no sistema de reservas fracionárias, o que significa que o banco no qual você guarda o seu dinheiro só é obrigado a manter sob reserva uma pequena parte dos depósitos dos clientes – geralmente 20% a 30% – estando livres para emprestar o resto, efetivamente criando uma moeda fictícia, a moeda escritural, já que em torno de 70 a 80% do dinheiro total depositado no banco esta sendo contabilizado duas vezes: Uma como disponível para saque para os seus clientes e outra nas mãos de quem recebe o dinheiro após tomar um empréstimo junto ao banco.

Isso significa que, em última análise, se um percentual muito grande de clientes do banco quiser retirar os seus depósitos simultaneamente, não haverá dinheiro disponível para todo mundo, já que a maior parte desse dinheiro estará nas mãos de terceiros que tomaram empréstimo no banco. Assim, você basicamente esta usando uma moeda essencialmente digital – a moeda escritural do banco – e confiando que não ocorrerá nada de muito impactante na economia que possa provocar uma corrida aos bancos, uma situação que, sem dúvida, é muito mais frágil do que utilizar uma moeda digital com um sistema de suporte e segurança envolvendo criptografia avançada e que é matematicamente impossível de ser hackeada tendo em vista o volume de nodes que deveriam ser invadidos simultaneamente.

Ademais, em que você prefere confiar: Em bancos e governos, que emitem moeda descontroladamente – seja através de papel ou seja através de dígitos como no caso da moeda escritural – ou em um sistema impessoal e objetivo que provê transações diretamente entre as duas partes envolvidas, sem a necessidade de um intermédiário, e que é mantido pelos próprios usuários de forma descentralizada ao redor do mundo, que naturalmente são os maiores interessados em que o sistema siga funcionando corretamente? Acho que a resposta é bem fácil.

Dito isto, vale a pena ainda falar sobre algumas críticas que tem sido feitas ao bitcoin, até mesmo por grandes figuras do mundo dos investimentos como Warren Buffet, que considera o bitcoin nada mais do que uma ilusão e potencial fraude.

 

O bitcoin é uma fraude?

 

Algumas vozes bem famosas no mercado já se levantaram contra o bitcoin, dentre as quais talvez a de maior peso é a do megainvestidor Warren Buffet, que defenda que o bitcoin não possui qualquer valor real, não tem a capacidade de armazenar valor e que não possui mais valor do que conchas do mar.

Bitcoin é uma fraude?
Bitcoin x Warren Buffet: Quem será que esta certo?

Sem dúvida alguma, Warren Buffet é uma lenda no mundo dos investimentos e qualquer opinião que ele emita carrega consigo o peso de um investidor ultra bem sucedido há quase 60 anos na bolsa de valores. Entretanto, alguns fatores precisam ser considerados com mais cautela para que possamos avaliar em que medida essa opinião carrega algum valor racional e em que medida representa apenas um viés espécifico do Buffet.

Primeiramente, precisamos considerar que Warren Buffet possui quase 90 anos de idade. Para ter uma noção do que isso significa na prática e em relação ao mercado, podemos lembrar que, quando ele começou a investir, os livros contabéis, cotações das ações e outras informações referentes as empresas negociadas na bolsa de valores só se encontravam disponíveis na própria sede da bolsa de valores ou através de periódicos que se especializavam na publicação desse tipo de informação. Desse modo, o próprio surgimento do Home Broker já foi um grande avanço tecnológico para quem estava acostumado a ter que obter as informações necessárias para o ivnestimento de modo físico.

Assim, podemos imaginar que talvez a visão de Buffet sobre o bitcoin esteja altamente enviesada pelo fato de em todas essas décadas investindo ele nunca ter visto nada igual, causando estranheza e aversão em relação a criptomoeda.

Outro fato importante a se considerar é que o próprio Buffet disse que não investe em empresas de tecnologia porque uma de suas regras é só investir em negócios que ele entenda profundamente e, como ele próprio assumiu, não entende nada de tecnologia. Será então que a aversão ao Bitcoin não pode ser explicada por essa aversão maior a qualquer negócio baseado em tecnologia? Não custa lembrar que há 2 décadas atrás Buffet não acreditava no potencial das hoje gigantes da tecnologia Google e Amazon, erro que lhe custou caro como o próprio admitiu anos depois.

Agora indo mais a fundo em relação ao argumento de que o bitcoin não tem qualquer valor real e não passaria de conchas do mar. Esse argumento parece ignorar os fundamentos de uma boa moeda, como vimos, dentre os quais o mais importante é funcionar como uma reserva de valor. Ocorre que um dos maiores valores do bitcoin é exatamente a sua oferta limitada, que chegará a 21 milhões e então deixará de ser emitida em maiores quantidades, algo totalmente diferente de conchas do mar que são virtualmente infinitas, podendo ser produzidas em quantidades estratosféricas tão logo fosse usadas como dinheiro, o que aliás já aconteceu no passado pelos índios que habitavam a américa do norte.

 

Bitcoin Vale a pena?

Visto tudo isso, a conclusão que podemos chegar é a de que o Bitcoin tem grandes chances de se tornar o dinheiro do futuro. Se isso realmente irá acontecer apenas o tempo dirá, porém o Bitcoin apresenta todos os fundamentos para que isso se torne realidade.

Além de todos os benefícios econômicos de uma verdadeira reserva de valor, de transações extremamente seguras e anônimas, o Bitcoin também pode ser visto como um meio de protesto contra Estados que se tornem excessivamente invasivos na Liberdade Individual do cidadão comum. Nenhum outro poder é maior do que o de controlar a moeda utilizada no país, o elo que une todas as transações econômicas e, ao fazer com que o Estado perca esse poder com um processo natural de migração, ao longo do tempo, das pessoas para o sistema do Bitcoin, abre-se uma possibilidade real de contenção do poder estatal, muito mais efetiva do que a suposta separação de poderes dos sistemas políticos atuais.

 

 

 

 

 

Coronavírus e bolsa de valores: Vale a pena investir agora?

Coronavirus, bolsa de valores e investimentos

O Coronavírus talvez seja um dos maiores fatos surpresos dessa década, tanto pela sua imprevisibilidade, alguns meses atrás, quanto pelos rápidos impactos socioeconômicos que tem causado. Com as notícias que não param de chegar constantemente sobre novos casos suspeitos e confirmados, além de mortes, que não param de chegar de várias partes do mundo além da China, principalmente de países como Itália, Irã e Coréia de Sul, há o temor real de que o coronavírus possa ocasionar uma pandemia com sérios impactos econômicos, potencialmente causando uma crise global.

coronavirus e bolsa de valores

 

Mas o que há de fatos e o que se deve a especulações ou medo injustificado nessa história? E o mais importante: Será que vale a pena investir na bolsa de valores nesse cenário, ou o coronavírus acabou com as oportunidades de investimento no mercado financeiro? Essa pergunta se torna extremamente importante quando observamos as fortes quedas das bolsas de valores ao redor de todo o mundo, que chegam em muitos casos a quase 10%.

O que é o Coronavírus?

 

Primeiro vamos entender o que é o coronavírus. Trata-se de um vírus da mesma família que o vírus da SARS (Severe Acute Respiratory syndrome, ou síndrome respiratória aguda grave), doença que surgiu pela primeira vez em 2002, e que infectou mais de 8000 pessoas e possui uma letalidade de 10%, tendo matado 800 em todo o mundo. Assim como o coronavírus atual, suspeita-se que a SARS tenha tido origem zoonótica, ou seja, tenha surgido inicialmente a partir de animais, mais especificamente através de morcegos, que transmitiram para uma espécie de gato bastante popular na China.

O Coronavírus, por um lado, possui uma letalidade bem menor, de cerca de 3,4% dos casos, pelos dados que se possui até o momento em todo o mundo. A principal faixa de risco é para idosos acima dos 80 anos, nos quais a taxa de letalidade chega a 15% dos casos, pois um dos principais fatores para a letalidade da doença é a força do sistema imunológico do indivíduo. Por outro lado, a taxa de transmissão do coronavírus é muito mais alta do que o SARS, tendo infectado já 94 mil pessoas no mundo inteiro, com 3221 mortes até o início de março de 2020, o que gera a preocupação com a possibilidade de propagação rápida do vírus para diversos países simultaneamente, causando um cenário de Pandemia.

Os impactos econômicos do coronavírus

 

Com o rápido avanço da doença e todo o alarde mundial, é natural esperar que o mercado comece a responder aos riscos representados pelo coronavírus. Na última semana de fevereiro de 2020, as principais bolsas de valores ao redor do mundo e também a bovespa apresentaram fortes quedas percentuais em resposta ao temos de que o vírus se alastre ainda mais.

O principal gatilho foram as notícias divulgadas pela Itália de que já possuía 220 casos confirmados de coronavírus – 1 semana depois o número de casos já chegou a 2.263, com 79 mortes – o que gerou uma reação em cascata nas bolsas européias, com quedas acumuladas na semana de 12% para a bolsa de Frankfurt e 8% para a bolsa de Londres além de 2,9% em Paris, 3,8% em Milão e 3,67% em Tóquio em um único dia, 4% em Hong Kong e 5% em Shangai.

Além disso, o índice de ações pan-europeu STOXX 600 teve queda de mais de 10% e o índice MSCI, que engloba 1.600 ações de 23 países industrializados acumulou queda de 9,3% na mesma semana.

Com todas essas fortes reações, o temor pelo risco de uma recessão econômica a nível global cresceu vertiginosamente. Mas há necessidade de tanto medo? E se uma crise econômica realmente estiver à vista, o que você deve fazer para se proteger ou quem sabe até se beneficiar da crise com seus investimentos?

 

Vale a pena investir nesse momento?

 

Se você já acompanha o mercado de ações há algum tempo, sabe que existe necessariamente uma diferença entre o que ocorre de fato e como o mercado reage ao que ocorre, entre a realidade e a percepção da realidade. Muitas vezes basta uma notícia suficientemente negativa para gerar uma reação em cadeia e uma queda brusca nos preços das ações. Foi exatamente isso o que aconteceu na última semana de fevereiro, com uma notícia ruim sobre o número de infectados na Itália gerando um efeito manada que ocasionou quedas simultâneas ao longo dos próximos dias em diversas bolsas ao redor do mundo.

Se por um lado o coronavírus gera temores de uma recessão mundial, por outro a queda dos preços de ações no mundo inteiro e na própria bolsa de valores brasileira, que caiu quase 7% em um único dia na última semana, abre grandes oportunidades de investimento para quem pretende investir de fato a longo prazo.

A história nos mostra que é natural uma queda brusca do mercado após um surto de alguma doença, mas que ele sempre tende a se recuperar e, muitas vezes, apresentar uma subida significativamente maior do que a queda após apenas alguns poucos meses.

Veja o gráfico:

coronavirus e bolsa de valores
Performance do mercado de ações global após os grandes surtos das últimas décadas

Como você pode ver, em casos passados como os do Ebola, Zika, Dengue, SARS, gripe suína, gripe aviária, HIV, entre outros, os mercados globais tendem a ter uma forte subida em até 6 meses após o surto na maioria dos casos, ou, no mínimo, começam a ensaiar uma recuperação das atividades.

Será que isso significa que você deve usar todo o seu capital disponível para comprar ações? Não necessariamente, mas apenas que você deve manter a mente calma para fazer uma análise fria da situação, e não se deixar levar pelo clima de desespero que muitas vezes atinge grande parte das pessoas em situações como essa. Muitas vezes, quando você atinge esse estado, vai perceber que existem excelentes oportunidades para serem aproveitada e não é momento de pânico.

Na Bolsa de valores brasileira, por exemplo, observamos diversas empresas com excelentes fundamentos econômicos apresentando fortes quedas devido ao surto, como por exemplo: AMBEV (-18,54%), Ultrapar (-24,47%), Gerdau (-15,56%), IRB (-25,83%), além de várias outras com quedas menores porém ainda significativas. Será que essa não é exatamente a oportunidade que você estava esperando para começar a investir na bolsa?

O Fed e a injeção de liquidez emergencial na economia

O FED, o banco central, americano, recentemente tomou a decisão de injetar dinheiro emergencial na economia americana, o conhecido Quantitative easing, por meio do qual o banco central compra títulos de bancos privados como forma de fornecer maior liquidez as operações destes últimos e prorrogar ainda mais o atual ciclo de expansão econômica.

Como já tivemos a oportunidade de falar em outros posts, o controle da moeda pelo Banco central é uma das coisas mais nocivas para a saúde da economia a longo prazo. A injeção de liquidez emergencial recentemente anunciada pelo presidente do FED, Jerome Powell, apenas estica ainda mais a expansão artificial do crédito que gera um crescimento artificial, uma bolha econômica que estourará mais cedo ou mais tarde, resultando na próxima crise econômica mundial.

Quantitative easing
Jerome Powell, atual presidente do FED

Os mesmos padrões que precederam todas as crises econômicas anteriores começam a se repetir com cada vez mais intensidade, com o FED tentando de maneira desesperada alongar o atual ciclo de crescimento econômico.

As rodadas de Quantitative easing do FED e a próxima crise global

 

A injeção de liquidez artificial na economia americana durará até pelo menos o segundo trimestre de 2020, segundo palavras do próprio Jerome. Apesar disso, o Banco central americano fez um esforço hercúleo na comunicação a empresa para tentar passar a ideia de que essa compra de títulos em grande quantidade – 60 bilhões de dólares por mês ou pelo menos 540 bilhões de dólares no total – não se tratava de injeção de liquidez por ser composta de títulos de curta duração e não títulos de longo prazo como as outras rodadas de quantitative easing haviam sido, além do que o objetivo não seria o de afrouxar a política monetária, mas sim evitar que suas regras se tornem excessivamente restritivas.

Esse hilário jogo de palavras que não muda em nada o efeito prático das medidas adotadas – aumentar as reservas do sistema bancário, diminuindo as taxas de juros de curto e longo prazo, gerando um novo ciclo de expansão creditícia e crescimento artificial – traz ainda mais pistas sobre o real estado da economia americana e os prováveis próximos cenários.

Se o banco central americano precisa intervir para dar maior liquidez aos bancos – ainda que não admita e tente mudar nomenclaturas para jogar uma cortina de fumaça – há uma imensa probabilidade de que algo não esteja funcionando adequadamente com o mercado interbancário.

A taxa de juros é um dos principais sinais da saúde do sistema bancário e se ela permanece alta o suficiente para provocar uma reação do banco central americano para reduzi-la de modo artificial, temos uma provável conjectura de futura retração econômica. A causa subjacente dessa alta taxa de juros pode se dar, por exemplo, pela concessão de empréstimos de baixa qualidade a tomadores com péssima capacidade de pagamento nos primeiros momentos de bonança financeira e agora esteja tendo dificuldades para se livrar desses títulos, gerando uma crise de liquidez no setor bancário. Independentemente do real motivo, é fato que atacar o sintoma – a taxa de juros – e não o problema de fato não irá funcionar e só aumentará o problema, intensificando a gravidade da próxima crise econômica. De fato, o FED agiu da exata mesma forma nos momentos que precederam o estouro da bolha que culminou na crise de 2008. Quando se une isso a proliferação cada vez mais rápida de títulos com juros negativos nos países europeus, temos o delineamento de uma próxima grande crise.

 

Vale a pena comprar ações da Cosan?

Ações da cosan

Bem vindo à Cosan, uma daquelas empresas capazes de encher o brasileiro de orgulho, cujo core business é gerar excelência em energia, com sustentabilidade. Nascida em 1936, na cidade de Piracicaba, São Paulo, como Costa Pinto, nome da usina de cana de açúcar que deu origem ao império industrial e tecnológico atual.

A Cosan é um dos maiores conglomerados econômicos do país atendendo a setores estratégicos da economia com suas soluções, dentre os quais o agronegócio, a produção e distribuição de combustíveis, gás natural e lubrificantes.

Ações da Cosan

Com 80 anos de atuação no mercado, a Cosan tem em seu portfólio empresas de alto valor estratégico e em geração de receitas, com destaque para a Raízen, produto de uma joint venture com a Shell. A Raízen é a segunda maior distribuidora de combustíveis do país, além de ser a maior fabricante de etanol da cana-de-açúcar do mercado nacional. No segmento de distribuição de açúcar da cana, ocupa a liderança mundial em exportações.

A Comgás é outra força competitiva do grupo, atuando no ramo de gás natural, atendendo a usinas de termogeração, segmentos industriais, automotivo, comercial e residencial.

A Moove é outra menina dos olhos da companhia. Produtora de lubrificantes, é fabricante e distribuidora da marca Mobil no Brasil, porém sua atuação é global, participando do mercado de distribuição de marcas profissionais de lubrificantes.

Os fundamentos estratégicos, assim como o alto nível de gestão, governança e transparência, levaram a companhia a estar listada, desde 2005, no mais alto nível de governança corporativa na B3.

Rotina de expansão global

A rotina da Cosan nos últimos anos é de expansão global. Em 2015, firmou uma joint venture com a empresa japonesa Sumitomo para se tornar o primeiro fabricante de pellets de cana de açúcar.

Em 2016, a Moove obteve o direito de distribuir os produtos Mobil com exclusividade para a Espanha. No ano seguinte, a Raízen concluiu a aquisição das usinas da Tonon, que possibilitou o aumento da capacidade de moagem de cana de açúcar para 73 milhões de toneladas por safra.

Em 2018, a Raízen ampliou sua atuação na Argentina ao adquirir o downstream da Shell, passando a operar uma refinaria e a logística de distribuição de combustíveis, com capacidade para atender a mais de 600 postos.

Resultados financeiros

No balancete divulgado em 30 de junho de 2019, a empresa apresentou uma receita líquida de R$ 3,34 bilhões, com um lucro líquido de R$ 418,27 milhões. Ampliando para os doze meses anteriores, a Cosan obteve uma receita líquida de R$ 12,2 bilhões, com um lucro líquido de R$ 2,2 bilhões e margem líquida de 18%.

A Cosan soma um total de R$ 29,7 bilhões em ativos, contra uma dívida bruta de R$ 11,7 bilhões. A dívida líquida é de R$ 8,5 bilhões, enquanto o ativo circulante é de R$ 8,4 bilhões.

Isso significa que a empresa não tem uma posição tão confortável com relação ao endividamento. A liquidez corrente é de 1,75, o que significa dizer que para cada real de dívida, a empresa possui R$ 1,75 para pagamento no curto prazo. Não obstante, a empresa, gerando mais de R$ 2 bilhões de lucro líquido anual, tem plenas condições de pagamento.

A geração de receitas vem se mantendo estável desde 2014, variando entre 1,8 e 3 bilhões de reais, pelo menos até o último trimestre de 2018. Como já relatado, a receita líquida no segundo trimestre de 2019 alcançou os R$ 3,34 bilhões, mostrando trajetória de crescimento para a companhia.

A boa notícia é que no mesmo período a margem bruta fez uma curva para cima, sinalizando que, ao mesmo tempo em que ampliou as receitas, a companhia obteve um melhor controle sobre os custos. A questão é acompanhar, a partir do terceiro trimestre, se essa trajetória se mantém.

Inclusive, a Cosan apresentou resultado financeiro positivo pela primeira vez em nove anos no segundo trimestre de 2019, assim como o lucro foi recorde em relação a todos os trimestres desde 2012.

CSAN3

Em maio de 2006 a CSAN3 foi negociada a R$ 36,56. Esse pico só foi alcançado novamente em maio de 2013, mas a desaceleração da economia chinesa obrigou as empresas a redesenharem suas estratégias para o comércio internacional.

Naquele período, até 2016, a empresa enfrentou dias difíceis, com queda em receitas. Em agosto de 2015, a ação chegou a cair para menos de R$ 16,00, acompanhando as dificuldades da companhia.

Quem manteve as ações, mesmo nos períodos de crise, confiando nos fundamentos da empresa, acabou obtendo grande valorização sobre o capital, já que a ação era cotada em R$ 57,22 em 25 de outubro de 2019.

Só em 2019, a ação valorizou 74,77%. Mesmo assim, o valor de mercado, em relação ao valor patrimonial, é 2,38 vezes superior. O lucro por ação é de R$ 5,48, o que significa que o valor patrimonial levaria dois anos e meio para cobrir o valor de mercado, indicativo claro de que a ação ainda vai subir.

Vale a pena investir?

Empresa em expansão, com forte geração de caixa, ampliando sua participação de mercado, gerando margem de lucro de aproximadamente 20% em relação à receita. Dívida coberta pelo ativo circulante mais dois anos de lucro.

Atuação em um mercado em que seus produtos são essenciais para o setor industrial. Posicionada em outros países, com ótimos fundamentos estratégicos.

Essa é a Cosan. Porém, segundo o Credit Suisse, a tendência é de que o preço da ação tenha um recuo de 11%. Não parece improvável que isso aconteça, uma vez que a empresa ainda está longe de ser uma boa pagadora de dividendos. O Yield é de 1,7%.

Numa boa estratégia para a CSAN3, os proventos seriam um plus, contribuindo para elevar, no médio e longo prazo, o ganho sobre o capital, caso, evidentemente, reinvestido na companhia. O ganho principal, no entanto, ficaria por conta do aumento do valor de mercado, que, a se manterem os indicadores atuais, virá nos próximos anos, seguindo a trajetória de crescimento da companhia.

É evidente que turbulências podem surgir, como a crise de 2008 e a crise das commodities, além do negócio da empresa estar condicionado por fatores naturais, mas a história mostra claramente que a Cosan sai sempre mais forte das crises e continua crescendo.

Quem quiser confiar no Credit Suisse, que merece todo o crédito, pode aguardar a queda para comprar com maior desconto. Como o forte da empresa não são os dividendos, é esperado que, em algum momento, haja um movimento de realização de lucro.

Em suma, para quem quer investir numa empresa forte no longo prazo, a Cosan é uma ótima opção para colocar na carteira. E quem diz isso é o relatório da Elevan Financial, baseando-se na demanda mundial crescente por biocombustíveis e na tendência de elevação do preço do açúcar.

 

Ações da WEG Industries: Vale a pena?

Ações da weg industries

Se você quer saber quem é a WEG, podemos dizer que a WEG é a empresa dos sonhos. Com um negócio simples e claro, mas pautado pelo compromisso com a inovação e políticas sustentáveis, a companhia é uma referência e um aceno positivo ao investimento no setor industrial brasileiro.

Se WEGE3 é um bom investimento, isso será visto mais à frente, mas não há como negar que a WEG é uma ótima empresa, não só pelos números financeiros apresentados, mas, principalmente, por sua visão estratégica e visão de mundo atualizada, o que se estende à sua filosofia de gestão e governança.

Ações da Weg Industries

A WEG surgiu em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, em 16 de setembro de 1961, fruto da inspiração de três profissionais: um mecânico, um eletricista e um administrador. Surgia dali uma das grandes indústrias do Brasil e um dos maiores fabricantes de equipamentos elétricos do planeta.

Não se pode dizer, no entanto, que seja este o core business da empresa. Seria melhor defini-lo como tecnologia para indústria, embora atenda a outros segmentos. Já na década de 80 do século passado, a WEG já produzia componentes eletroeletrônicos, transformadores de força e distribuição, tintas e vernizes eletroisolantes. Além disso, a companhia já desenvolvia soluções para automação industrial.

Em seu portfólio, a indústria catarinense produz soluções para diversas áreas, como o agronegócio, a indústria naval, construção civil, indústria de óleo e gás, papel e celulose, açúcar e etanol, siderurgia, mineração e para a área de saneamento, com foco em geração de energia, mobilidade elétrica, eficiência energética e indústria 4.0.

Sua ação no terreno da sustentabilidade inclui a geração de energia a partir de resíduos sólidos e a geração de energia solar. Para concluir o resumo, a empresa está focada em entregar aos seus clientes soluções capazes de reduzir custos e melhorar os controles de performance e emissão de poluentes no meio ambiente.

Nem é preciso dizer que a empresa ostenta fundamentos estratégicos invejáveis, que vêm assegurando, há décadas, o seu crescimento contínuo, como a própria faz questão de salientar.

Histórico recente

Além do portfólio variado de produtos, nichos de atuação e clientes, a empresa possui uma clara estratégia de expansão global. Atualmente, investe US$ 20 bilhões na construção, em Hosur, na Índia, de uma fábrica para produção de motores elétricos de baixa tensão.

O plano é que a nova unidade produza 250 mil motores por ano, assim como deve entrar em operação em 2021, levando em conta que a unidade de produção está sendo produzida em um parque industrial onde a empresa já tem uma fábrica. A iniciativa gerará, segundo a WEG, 320 novos empregos, além de ampliar a capacidade de distribuição em um mercado com alto potencial.

Saindo da seara estratégica para a financeira, a empresa apresenta dados realmente impressionantes. Fechou o segundo trimestre de 2019 com receita líquida de R$ 3,3 bilhões, gerando um lucro líquido de R$ 418,2 milhões.

Apesar da estratégia de expansão, a WEG apresenta dívida líquida negativa de R$ 470 milhões e um patrimônio líquido de R$ 8,3 bilhões, enquanto seus ativos somam R$ 15,5 bilhões. A dívida bruta é de R$ 3 bilhões.

Entre julho de 2018 e junho de 2019, obteve um lucro líquido de R$ 1,5 bilhão, mesmo investindo em expansão. A liquidez corrente, que é a divisão do ativo circulante pelo passivo circulante, é de 2,13, mostrando que a empresa tem ótima capacidade de pagamento e um fluxo de caixa bastante saudável.

Para termos uma ideia do potencial de crescimento da WEG, a empresa saltou de uma receita liquida de pouco mais de R$ 900 milhões, no primeiro trimestre de 2010, para R$ 3,3 bilhões no segundo trimestre de 2019. Na receita anual, o salto foi, entre 2010 e 2018, de R$ 4,2 bilhões para R$ 12,5 bilhões, sendo que o lucro subiu na mesma proporção, de R$ 550 milhões para R$ 1,35 bilhão.

WEGE3

O preço da WEGE3 acompanha a trajetória da companhia de forma consistente, embora, talvez, um pouco acelerada, tendo saltado de R$ 14,77, em maio de 2017, para os R$ 26,10 registrados no dia 24 de outubro de 2019.

Com isso, a ação está sendo negociada por um valor que é, atualmente, 6,58 vezes o seu valor patrimonial.

Não se pode dizer que a empresa apresentará uma queda no longo prazo, já que seus fundamentos são muito fortes. Qualquer oscilação não deve provocar abalos, mas não há dúvidas de que a ação é cara, tende a desacelerar e, para complica mais um pouco, o pagamento de dividendos não justifica um investimento em valor. O Yield da companhia está na casa de 1,4% ao ano. Ou seja, bem abaixo do que você pode obter com renda fixa.

Exceto aconteça uma daquelas hecatombes do mercado e o preço caia para algo na casa dos R$ 10,00 a R$ 15,00, ao que tudo indica, é melhor procurar uma ação de um empresa com fundamentos tão bons quanto mas que esteja atualmente desvalorizada. (Veja como em: https://magodomercado.com/aprenda-como-investir-na-bolsa-de-valores-comecando-do-zero/)

O que é o FED?

FED

FED (Federal Reserve Bank) nada mais é que o Banco Central dos Estados Unidos, cujas funções em muito se assemelham às do BACEN, o Banco Central do Brasil.

A diferença essencial entre os dois bancos é que, ao contrário do que acontece com o BC, o FED tem, em sua gestão, a interferência direta do sistema financeiro privado, o que significa dizer, em outras palavras, que os bancos privados dos Estados Unidos possuem forte interferência nas decisões econômicas do país, que, por conseguinte, afetam toda a economia mundial, dada a importância e força da economia local.

Apesar do poder do sistema financeiro privado dos Estados Unidos sobre as decisões econômicas ser mais evidente, há dois aspectos que precisam ser ponderados:

– o presidente e o vice-presidente do FED são nomeados pelo presidente da República, assim como no BC;

– o fato de não ter assento no Conselho Diretor do BC não significa que o sistema financeiro privado brasileiro não exerça forte influência sobre as decisões econômicas do governo.

Em outras palavras, podemos dizer que a diferença ocorre mais na questão normativa e estrutural do que na prática, sendo, inclusive, natural que isso aconteça, pois, tanto aqui, quanto lá, o sistema financeiro privado exerce papel preponderante na economia. Nesse sentido, o FED pode ser visto como um dos principais responsáveis pela natureza cíclica da economia americana, criando muitos ciclos expansionistas através da injeção artificial de capital que fatalmente leva a uma contração futura e a uma consequente crise econômica mais cedo ou mais tarde.

Decisões do FED afetam o mundo

O que faz realmente a diferença entre o BACEN e o FED é que a força política desse último, materializada pela presença dos bancos privados no controle das decisões do FED, ultrapassa em larga escala as fronteiras dos Estados Unidos.

o que é o FED

A razão para isso é que o dólar é a moeda referencial global, havendo um volume gigantesco de contratos na moeda estadunidense. Sendo assim, as decisões do FED afetam toda a economia mundial, uma vez que cabe àquela instituição a determinação, aplicação e controle da política monetária dos Estados Unidos.

Não é por outra razão que todo o mercado global fica à espreita das decisões do Banco Central Americano, como a recente queda dos juros, que, em tese, transferiria dinheiro para o investimento no setor produtivo e no consumo.

Numa outra interpretação, no entanto, essa medida poderia dar a entender que o FED estaria adotando uma política anticíclica, visando enfrentar um possível desaquecimento da economia mundial, que vem sendo alardeado pelos especialistas, sobretudo desde que a China parou de crescer a uma velocidade vertiginosa, o que chegou a afetar o preço das commodities no Brasil, trazendo problemas, inclusive, para as contas públicas.

A queda na taxa de juros pode significar, ainda, uma saída de capital investidor dos Estados Unidos, com transferência para mercados que entregam maior rendimento passivo. Essa é uma questão que precisa ser ponderada nas decisões do FED, que, como você pode perceber, funciona, a exemplo do Banco Central, como uma espécie de ferramenta de regulagem da economia estadunidense e, consequentemente, da economia mundial.

Aliás, há outro aspecto importante que diferencia o FED e o BC. É que o FED, ao contrário do BC, tem total autonomia em relação a qualquer instituição governamental. No caso do BC, possuem assento no Conselho o Ministério da Economia e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que participam das decisões relacionadas aos vetores financeiros da economia nacional.

Outra diferença, que é mais estrutural, mas vale a pena pontuar, é que a compra e venda de títulos do Tesouro dos Estados Unidos não é uma atribuição direta do FED, mas do FOMC (Federal Open Market Comitte), que é, na verdade, um braço do FED, que tem também a atribuição de regulamentar e supervisionar as operações de mercado aberto.

Vamos falar sobre as principais atribuições do FED e de que forma o exercícios das mesmas interfere na economia local e, consequentemente, na economia mundial.

Compra e venda de títulos

Já que falamos no FOMC, vamos falar sobre a compra e venda de títulos do Tesouro.

Sabemos, efetivamente, que a distribuição ao mercado de títulos do Tesouro é uma forma de financiar investimentos governamentais. Esse é, certamente, o melhor dos mundos, pois se trata de uma modalidade de crédito, cujo tomador é o governo, que, em troca, remunera, dentro de um determinado prazo, esse investimento com juros.

Sabemos que a obtenção de crédito para investimento é uma forma salutar de endividamento, uma vez que o desenvolvimento obtido em razão desse financiamento acaba por gerar novos ativos, que são geradores de divisas para o país.

O ruim é quando essa emissão de títulos é feita para captação de dinheiro para pagamento das despesas, pois não há geração de novos ativos. E a situação seria bem pior se essa captação tivesse como finalidade o financiamento da dívida pública. Nesse caso, além de ficar claro que o governo não gera receitas suficientes para pagar suas despesas, a dívida tende a crescer de forma acelerada.

Tudo isso é muito importante, mas é preciso salientar que numa economia extremamente ancorada no sistema financeiro a emissão de títulos adquire um novo papel, que é o controle de dinheiro no mercado real. Em outras palavras, podemos, em algum momento, ver o FED fazendo a recompra dos títulos emitidos para irrigar a economia com dólares.

Trata-se de uma política para gerar consumo e investimentos no setor produtivo, ou seja, uma política expansionista. No caso contrário, no da emissão de mais títulos, o propósito é tirar dinheiro do mercado para, por exemplo, controlar a inflação.

Taxa de Juros

O que nos traz à taxa de juros, que corresponde à nossa Selic, cuja principal finalidade é regular o preço do crédito às empresas e ao consumidor.

Juros baixos contribuem para o barateamento do crédito e, consequentemente, para o aquecimento da economia, pelo menos em tese. Temos visto no Brasil um efeito diferente, em que a queda da taxa de juros não tem contribuído para baratear o crédito, tampouco para reaquecer a economia nacional.

É porque essa retomada carece de outros fatores, como renda, emprego, risco de inadimplência e investimentos governamentais, mas esse é outro assunto. A importância de incluí-lo no tema em questão é ampliar a visão econômica, evidenciando que a economia não é uma ciência exata, assim como a política monetária. Os efeitos serão diferentes dependendo de em que contexto são aplicadas as respectivas medidas.

Para concluir, o aumento dos juros atrai dinheiro para o mercado financeiro. No caso contrário, com a queda dos juros, a expectativa é de que o dinheiro retorne para a economia real.

Emissão de moeda

Cabe, também, ao FED, o controle da emissão da moeda dos Estados Unidos, o dólar.

A quantidade de papel moeda no mercado também influencia diretamente a economia local e mundial, uma vez que o dólar funciona como uma espécie de moeda de referência.

A emissão excessiva de moeda pode afetar a cotação da mesma no mercado, reduzindo seu valor frente aos seus pares, já que, como em qualquer aspecto da economia, é regida pela lei da oferta e da procura. Havendo uma oferta exagerada, o dólar se desvaloriza.

Como cabe ao FED a tarefa de manter o equilíbrio da economia, esse controle é vital para não gerar desequilíbrios, que podem levar até mesmo a um processo inflacionário, sobretudo porque, ao contrário do que ocorreu em outros tempos, a emissão de moeda não é lastreada em um valor real, que, ao longo da história, foi a prata e, posteriormente, o ouro.

O valor que lastreia a moeda nos dias atuais é a credibilidade do governo e o bom senso, variáveis que nem sempre estão presentes.

 

 

 

Ações do Pão de Açúcar: Vale a pena?

acoes pao de acucar

Vale a pena investir em ações do Pão de Açúcar? Bom, antes de falar dos sólidos fundamentos da companhia, precisamos lembrar que o controle do Pão de Açúcar pertence ao Grupo Casino.

O gigante francês, que atua no setor de varejo, possui um faturamento anual na casa dos 50 bilhões de euros. Adquiriu o controle do Pão de Açúcar em 2012, transformando a rede de varejo brasileira em parte de um império que inclui mais de 12 mil lojas, sendo 9,5 mil delas na França.

O Pão de Açúcar, que dispensa as apresentações, conta com mais de 1.000 pontos de venda espalhados por todas as regiões do país. São quase 100 mil colaboradores alocados em quatro unidades de negócios:

– Multivarejo – controla a operação dos supermercados Pão de Açúcar e Extra;

– Compre Bem – supermercados locais, focados nos consumidores locais;

– Assaí Atacadista – focado no segmento de pequenos e micro varejistas, além de consumidores locais;

– GPA Malls – focado na gestão dos ativos imobiliários do grupo.

Histórico recente

O último balanço apresentado pelo Grupo Pão de Açúcar foi o do segundo trimestre de 2019. Na ocasião, obteve R$ 13,1 bilhões em receitas líquidas. O lucro líquido foi de R$ 431 milhões, com um EBIT de R$ 828 milhões.

O traço mais notório nesse resultado é a margem comprimida do setor de varejo, com uma margem líquida de somente 2%. Não é, na realidade, algo que possa tornar não recomendado o investimento nesse tipo de ação, uma vez que a margem comprimida é compensada pela força do consumo, que gera escala para grandes companhias do setor, que tenham potencial de investimento e estratégia de crescimento.

Para você ter uma ideia, se usássemos os mesmos indicadores para um período de 12 meses, teríamos uma receita líquida de R$ 52,1 bilhões, com um lucro líquido de somente R$ 1,2 bilhão.

Com essa toada, o Pão de Açúcar chegou ao final do primeiro semestre de 2019 com seus ativos somando R$ 32,9 bilhões. O patrimônio líquido da empresa demonstra de forma clara sua solidez, somando R$ 10,7 bilhões, contra uma dívida líquida de somente R$ 1,5 bilhão.Açoes pao de acucar

Lembrando que a dívida líquida é a diferença entre a dívida bruta e a disponibilidade de caixa na data da geração do demonstrativo financeiro. Vale ressaltar que a empresa conta com um ativo circulante (realizável no curto prazo) de R$ 12 bilhões.

Tudo isso mostra que a empresa possui liquidez e forte capacidade de geração de caixa, sendo capaz de manter suas operações lucrativas, sobretudo pela estratégia bem consolidada, focada no nicho de supermercados, mas com uma segmentação bastante interessante.

Outro ponto forte é que o endividamento da empresa vem diminuindo de forma consistente desde 2012, quando chegou a ter um passivo de quase R$ 13 bilhões. A situação contrasta com o controlador francês, o Grupo Casino, que apresenta alto endividamento e busca formas de reestruturar suas dívidas, o que, por ora, não afeta os negócios do GPA no Brasil.

Em junho de 2019, o Pão de Açúcar desfez-se de suas ações da Via Varejo, controladora das Casas Bahia e do Ponto Frio. A operação rendeu R$ 2,3 bilhões à companhia, enquanto a Via Varejo retornou ao controle de seus antigos proprietários: a família Klein.

A Via Varejo, responsável pela divisão de multivarejo e eletrodomésticos, vinha sendo o patinho feio do grupo, dando seguidos prejuízos à empresa.

Falando em prejuízos, o ano de 2016 foi um ano crítico para o Pão de Açúcar, que teve prejuízo, somente no primeiro semestre, de R$ 739 milhões, no auge da crise política e econômica que afligiu o Brasil. Segundo a direção da empresa, o prejuízo foi consequência do movimento de expansão da empresa, sobretudo do Assaí.

Parece que estava certa, pois a companhia vem obtendo lucro desde o segundo trimestre de 2017.

PCAR4

A PCAR4, ação do GPA, seguiu o fluxo dos resultados do grupo e obteve forte queda desde o segundo semestre de 2015, chegando, em janeiro de 2016, a ser negociada ao mesmo preço de 2003.

Na ocasião, o papel do Pão de Açúcar foi negociado a R$ 32,41. Tudo isso depois de, em setembro de 2014, ter alcançado a maior cotação histórica, de R$ 108,27. Atualmente, a PCAR4 é negociada a R$ 84,78 (preço de 22/10/2019).

De certo modo, tal volatilidade reflete os números da empresa, mas não sua condição. O valor da ação, com base no patrimônio líquido, é de R$ 40,06. O valor no mercado de ações é 2,12 vezes o valor do VPA. Embora a ação esteja apreciada, não se pode dizer que esteja fora da realidade, sobretudo pelo potencial de geração de lucro e crescimento da empresa.

Como a maioria das ações, o ponto fraco do Pão de Açúcar está na geração de dividendos para os seus acionistas, sobretudo em razão dos resultados financeiros ruins nos últimos anos. O Dividend Yield da PCAR4 é de apenas 1,4%.

Vale a pena investir?

Sobre essa questão do Yield, que é a diferença entre o valor da ação e o dividendo somado a esse valor, há uma questão que precisa ser melhor desenvolvida.

O que temos ouvido falar é que os investidores estão fugindo dos investimentos em renda fixa, devido à queda progressiva da taxa Selic, que pode terminar o ano em 4%. Digamos que os melhores investimentos em renda fixa paguem uma valorização de 6%.

Para quem pensa em ações com base na análise fundamentalista, quem pensa em value invest, não tem razão alguma para investir em dividendos de 1,4%. Investir em uma ação, neste caso, só faria sentido se em função da valorização do capital.

Podemos afirmar que o Pão de Açúcar é uma empresa sólida e que existe uma grande possibilidade de crescimento no médio e no longo prazo. Não há nada, no entanto, que assegure que esse crescimento será substancial e acompanhado pelo mercado de capitais.

Ações da kroton: Vale a pena?

Vamos falar hoje sobre as ações da Kroton, uma empresa pouco badalada, mas que trás uma história e números surpreendentes. Começaremos pela história da companhia, uma das maiores do mundo em seu segmento..

A Kroton surgiu de uma ideia de um grupo de jovens educadores, que conseguiram ganhar notoriedade ao promover um curso pré-vestibular com 35 alunos, dos quais trinta e três foram aprovados.

Nascia o curso pré-vestibular Pitágoras, gênese da empresa, que é, atualmente, um dos maiores grupos educacionais do Brasil, com um faturamento anual na casa dos bilhões de reais.

Em 1968, dois anos após a façanha, o grupo já contava com mais de 600 jovens vestibulandos. Em 1972, seis anos após a criação do curso, era inaugurado o primeiro colégio Pitágoras, em Belo Horizonte, para ensino de primeiro e segundo grau.

Na década de 80, o Pitágoras instaurou unidades no Iraque e na Mauritânia para atender a filhos de brasileiros que atuavam naqueles países. Na década de 90, após a criação da Rede Pitágoras, que rapidamente chegou a mais de cem escolas associadas, foi criada a Fundação Pitágoras, focada no desenvolvimento de projetos educacionais nas áreas pública e privada.

ações da krotonNo início do século XXI, foi criada a Faculdade Pitágoras, em parceria com a Apollo International, que venderia sua participação em 2005. A empresa abriria capital na Bolsa de Valores em 2007 e, em 2009, receberia investimentos do Advent International, um fundo de private equity, que passou a fazer parte do grupo controlador da empresa.

Em 2010, seguindo a filosofia estratégica de expansão dos negócios, a Kroton comprou a IUNI, ampliando sua participação no setor de graduação e entrando no mercado de pós-graduação. Era o início de um projeto de aquisições sistemáticas, que incluiu a Faculdade Atenas Maranhense, a UNOPAR, então líder de Educação à Distância no país, a Unirondon e a Uniasselvi.

Em 2013, a empresa chamou atenção do mundo ao associar-se à Anhanguera, com o objetivo de formar a maior empresa do planeta no setor de educação. Após a fusão, tornava-se líder mundial em número de alunos e valor de mercado.

Desde então, o foco foi em expansão da capacidade já existente e em aquisição tecnológica, buscando assegurar a competitividade da empresa no novo ambiente altamente digitalizado. Atualmente, atua em todas as áreas da educação, inclusive no segmento B2B.

Histórico Recente

O portfólio de marcas da Kroton inclui, desde abril de 2018, a famosa editora Saraiva, obtida num negócio que envolveu a compra da Somos, gigante da educação básica brasileira, que era a dona das editoras Saraiva, Scipione e Ática, entre outros negócios. Foi uma reação à determinação do CADE, que inviabilizou a fusão com a Estácio, que ocupa a segunda posição no mercado de ensino superior.

Em julho de 2019, a empresa registrava uma receita líquida nos últimos doze meses de R$ 6,8 bilhões, contra R$ 6,1 bilhões nos doze meses de 2018.

Trata-se de uma trajetória consistente de crescimento em receitas, que saltaram de menos de R$ 500 milhões em 2009 para o patamar atual. O que implica dizer que a estratégia de expansão da companhia vem dando certo.

É importante ressaltar que a margem bruta da empresa vem acompanhando essa trajetória de crescimento, embora a curva não seja tão íngreme e a margem EBIT tenha entrado em curva de queda a partir do quarto trimestre de 2017. Além disso, o resultado financeiro vem, pela primeira vez em dez anos, sendo negativo nos últimos dois trimestres.

Tudo isso tem relação direta com a lucratividade do negócio. O lucro líquido em um ano alcançou seu mais alto patamar no terceiro trimestre de 2017, quando chegou à marca dos R$ 2,4 bilhões. No último balanço, o mesmo indicador apontou apenas R$ 844,2 milhões.

O descolamento entre o aumento das receitas e a perda de lucratividade pode ser explicado pela sede de expansão da companhia, que gerou uma dívida de R$ 8,4 bilhões. Apesar disso, possui um patrimônio líquido de R$ 16 bilhões, além de ativos que somam R$ 33,9 bilhões.

Com o lucro atual, sem correção da dívida, esta seria paga em dez anos, mas o endividamento está longe de ser o grande problema da kroton, que possui excelentes fundamentos financeiros, com R$ 4,5 bilhões no ativo circulante.

O maior desafio da empresa é, segundo o Morgan Stanley, o aumento da concorrência no setor, principalmente no ensino à distância, com pressão sobre os preços, comprometendo a geração de caixa da companhia. Apesar disso, o Morgan considera o COGN3 o melhor papel do setor.

Já do ponto de vista da empresa, a queda na lucratividade do negócio é consequência das despesas financeiras para a aquisição da Somos.

COGN3

Num ambiente em que os investidores correm da renda fixa para a renda variável, buscando maior lucratividade com a valorização dos ativos, os números da COGN3 são surpreendentes. Cotada a R$ 10,79 em 22 de outubro de 2019, o papel da Kroton possui um VPA (Valor Patrimonial por Ação) de R$ 9,76, o que significa que o mercado está pagando apenas 13 centavos de ágio sobre o valor patrimonial.

É bem verdade que o anúncio dos últimos resultados acabou espantando investidores, acarretando pequena queda na cotação, na casa de 4,17% nos últimos 30 dias, mas mantendo uma recuperação do preço da ação no ano de 23,03%, contra a queda de 50,09% em 2018.

A queda ocorrida em 2018 refletiu os próprios resultados da empresa em relação à lucratividade, o que traz, também, impacto negativo na expectativa de obtenção de proventos. O Dividend Yield atual da companhia é de apenas 1,8%.

O maior preço histórico da COGN3 foi alcançado em outubro de 2017, com a ação sendo negociada a R$ 20,03. Em dezembro de 2018, chegou a ser negociada a R$ 8,50.

Vale a pena investir?

Em seus melhores momentos como pagadora de dividendos, a COGN3 chegou a pagar um Yield superior a 10%, mas isso foi em 2014. Não há no horizonte a expectativa de que a empresa possa se tornar uma grande pagadora de dividendos nos próximos anos, em função dos altos investimentos.

Por outro lado, é possível imaginar que uma melhora nos resultados financeiros da empresa anime os investidores. A ação está barata no momento e é possível pensar em bons ganhos com valorização de capital no médio e longo prazo.

 

 

 

 

 

 

Os fundamentos da 3M no Brasil são bons?

Ações da 3M

Você já deve ter ouvido falar na 3M, uma das mais poderosas multinacionais de capital estadunidense, que foi fundada em 1902, no estado de Minnesota.

Na ocasião, um grupo de empreendedores se uniu para explorar minérios, pensando em transformarem-se em fornecedores da indústria local.

O fato é que o minério prospectado não era de boa qualidade e o negócio inicial deu errado. Imagine se os desavisados empreendedores soubessem que aquele mal começo era o ponto de partida para algo gigantesco.

Três anos após a fundação, o grupo já estava estabelecido na cidade de Duluth, onde iniciava um negócio de fabricação de abrasivos. Em 1910, a companhia foi transferida mais uma vez, agora para a cidade de Saint Paul, em Minnesota.

Em 1921, a 3M iniciava sua trajetória como empresa inovadora, ao criar as lixas d´água, que décadas depois ainda eram o principal método de lixamento de empresas do setor industrial e de construção civil.

Desde então, a empresa vem se destacando como referência em desenvolvimento de tecnologia. Seu portfólio conta com mais de 60 mil produtos, divididos em 6 unidades:

– Indústria e Transporte;

– Consumo e Escritório;

– Produtos Elétricos e Comunicação;

– Controle de Tráfego e Comunicação Visual;

– Saúde;

– Segurança.

Abrasivos, EPIs (equipamentos de proteção individual), produtos médicos e odontológicos, adesivos e fitas adesivas estão entre os mais importantes produtos da companhia.

3M no Brasil

A 3M chegou ao Brasil em 1946 e estabeleceu-se na cidade de Campinas (SP). Atualmente, conta com cerca de 4 mil colaboradores, distribuídos pelas fábricas de Sumaré, Itapetininga, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Mairinque, Bom Princípio e Manaus.

Em 2012 e 2013 foi eleita no Prêmio Best Inovator, da revista Época Negócios, a empresa mais inovadora do Brasil, espelhando seu DNA. É apontada, também, como uma das melhores empresas do país para se trabalhar.

Debruçar-se sobre o portfólio de produtos da 3M é realmente um desafio fascinante. A empresa atende ao mercado corporativo e ao mercado consumidor com uma variedade de produtos impressionante, de automotivos a manutenção e limpeza; de cuidados pessoais a soluções cirúrgicas; de películas para vidro a filtros de água.

São aspectos que sugerem que a 3M é uma empresa para sempre, capaz de sustentar suas posições comerciais no poderoso mercado do consumo.

História recente

Nem tudo são flores, todavia, na trajetória da 3M no Brasil, pelo menos não em tempos recentes. Em se tratando de curtíssimo prazo, mas com possíveis desdobramentos no médio e no longo, os resultados do primeiro trimestre de 2019 não foram alentadores.

É que as vendas da multinacional tiveram queda de 5% em relação ao mesmo período de 2018. De US$ 8,28 bilhões, a 3M despencou para US$ 7,86 bilhões. Nada que signifique um grande abalo na saúde econômica da companhia, mas há uma preocupação real com uma possível retração nos negócios da companhia, que será atenuada mais à frente, como poderemos observar.

mmmc34

Como consequência, a empresa iniciou um programa de reestruturação, cuja tônica é o corte de duas mil vagas de trabalho. Em depoimento à imprensa, na ocasião, Mike Roman, executivo da companhia alertou para a desaceleração dos mercados finais da companhia, o que vem reduzindo as margens da companhia e o crescimento orgânico.

Apesar disso, em nível mundial, a empresa segue uma trajetória, embora reduzida em relação ao passado, o que é natural, de crescimento orgânico. Em outras palavras, consegue crescer por dentro, sem precisar realizar aquisições para ampliar seu tamanho no mercado. O ponto alto é o controle e a redução de custos, acompanhado de uma melhor gestão, segundo a companhia, do fluxo de caixa, apesar do fechamento do segundo trimestre de 2019 com queda de 2,6% nas vendas em relação ao mesmo período do ano anterior.

No terceiro trimestre, o lucro da companhia, em nível mundial, foi de US$ 1,43 bilhão, superando as expectativas dos próprios executivos da empresa e o lucro apurado no mesmo período do ano anterior, que foi de US$ 1,33 bilhão. Mesmo a receita da empresa obteve crescimento, alcançando US$ 8,17 bilhões, contra US$ 7,71 bilhões no mesmo período de 2018.

Prova da capacidade da companhia de rapidamente recompor suas posições econômicas, sobretudo em função da escala mundial de seus negócios.

MMMC34

A MMMC34, ação da 3M na B3, chegou ao final de setembro de 2019 cotada a R$ 170,00, bem abaixo dos R$ 215,32 alcançados em 23 de abril do mesmo ano. Não tão acima, também, da cotação mínima em 2019, que foi de R$ 155,19, registrada em junho.

Verdade seja dita, a cotação atual oferece uma visão mais realista da companhia, que mantém, desde o final de 2015, uma oscilação na faixa dos R$ 140,00 aos R$ 200,00. No cômputo, até o final de setembro, a ação da companhia perdeu 6,38% de seu valor. Em doze meses, o resultado foi bem pior, com perda de 18,45%.

Os fundamentos são bons?

Trata-se de uma companhia com um poderoso portfólio, com distribuição para diversos segmentos de consumo corporativo e pessoal, o que lhe garante uma grande capacidade de defesa contra perda de receitas em qualquer de suas frentes.

Em tempos de incertezas, é alvissareiro que a companhia consiga se manter crescendo de forma orgânica. Além disso, mantém pagamento regular de dividendos nos últimos 60 anos, o que faz com que seja uma boa vaca leiteira, embora o ganho de 2,4% em Yield não seja tão competitivo.

Os ativos da companhia somam US$ 36,5 bilhões, com US$ 13,7 bilhões no ativo circulante. O patrimônio líquido da companhia é de US$ 9,85 bilhões.

Sendo assim, a resposta para a pergunta que intitula o artigo é sim, os fundamentos da 3M são muito bons, inclusive no Brasil.

Vale a pena investir?

Como pudemos observar, a 3M tem um crescimento orgânico em termos de lucratividade e, apesar de sua atuação em escala mundial, é uma empresa com forte resistência à volatilidade da economia real.

Quanto ao mercado financeiro, talvez o preço atual não seja o mais recomendável. Seria interessante pensar em uma compra com o papel cotado na faixa dos R$ 140,00, pensando em ter uma vaca leiteira na carteira, que tem potencial para ainda se valorizar no longo prazo, embora não se deva esperar ganhos arrojados para os investidores.