A próxima crise econômica Global esta próxima?

A próxima crise econômica Global esta próxima?
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Muito tem se falado sobre uma possível crise econômica global que se aproxima a passos largos. Se olharmos a natureza cíclica da economia global, marcada por ciclos de expansão fomentada por políticas expansionistas de crédito que geram liquidez artificial e ciclos de contração que corrigem as distorções geradas durante o período de boom, parece ser claro que uma nova crise deve acontecer em breve, especialmente quando se considera que a última grade crise – a de 2008 – já se passou há mais de 10 anos.

Mas o quão próxima esta crise está? E quais são os fatores que podem ser observados que nos indicam que ela já começa a se desenvolver? É sobre isso que iremos falar melhor nesse artigo.

 

O Presságio da próxima Crise

 

            O primeiro fator que liga o alerta para a próxima crise global é o próprio funcionamento da economia em nível mundial. A forte intervenção governamental no controle da taxa de juros e da reserva monetária leva, necessariamente, a uma economia cíclica, que terá períodos de marcado crescimento econômico acelerado e outros de forte queda na demanda geral e consequente contração.

Isso ocorre porque, ao tentar estimular o consumo através da diminuição da taxa de juros, o governo gera uma expansão descontrolada do crédito, que por sua vez gera uma liquidez artificial, ou seja, os consumidores possuem mais dinheiro para gastar, e durante algum tempo a economia crescerá de modo acelerado a medida em que o consumo se expande continuamente com base no crédito abundante. Em algum momento, entretanto, esse dinheiro terá de ser devolvido e com juros. Alguns consumidores não conseguirão quitar suas dívidas e a taxa de juros subirá novamente, gerando contração no consumo e a consequente crise econômica.

Crise econômica
Federal Reserve, ou FED, o banco central americano

Essa natureza cíclica de uma economia com forte intervenção de um Banco Central nos permite afirmar que a um período de bom crescimento econômico sempre se sucederá um de marcada contração da economia. Mas a partir de quando exatamente podemos dizer que o ciclo se inverte?

Bom, para isso temos algumas pistas que podem ser utilizadas. Historicamente, os EUA têm apresentado uma crise econômica a cada 8 ou 9 anos desde a Segunda guerra mundial, variando entre crises menos graves e crises avassaladoras. Entretanto, estamos já em 2019, 11 anos depois da última grande crise global de 2008, iniciada pela expansão do crédito imobiliário subprime americano e continuamos em uma fase de crescimento econômico. Este fator temporal por si só já nos indica que algo esta para mudar em breve.

Uma observação importante de ser feita é que os ciclos econômicos de crescimento/recessão têm mudado de configuração ao longo das últimas décadas. Em geral, os ciclos de crescimento têm se tornado mais longos –porém com um crescimento médio anual menor – e os de recessão mais curtos. Essa nova configuração é vista como um sinal de progresso pelo Banco Central americano, o FED, mas na realidade apenas prepara o cenário para uma crise ainda mais catastrófica no futuro.

ciclos economicos
Alan Greenspan

De fato, Alan Greenspan, que foi presidente do FED de 1987 até 2006 – pouco antes do estouro da crise econômica – chegou a afirmar que o conhecimento obtido nas gerações anteriores permitiria ao FED chegar perto de eliminar as crises econômicas através de constante reinjeção de liquidez na economia.

A realidade, entretanto, é que as crises cíclicas surgem exatamente em decorrência da liquidez artificial injetada na economia pelas políticas de expansão creditícia do Banco central, sendo um mecanismo do mercado para corrigir os péssimos investimentos feitos durante esse período de falsa bonança, bem como o endividamento em excesso e a falsa prosperidade de negócios que, sem aquela liquidez artificial, jamais prosperariam

A crise nesse caso é, portanto, fundamental para que o mercado volte a operar da maneira adequada e a economia possa crescer de modo real. Ao injetar liquidez com ainda mais agressividade na economia, ao longo de um tempo maior, como parece ser a nova ótica do FED, o que teremos é um período de correção ainda mais violento nos esperando logo a frente.

 

A inversão da curva da Taxa de juros

Como você já sabe, a tendência natural no mercado de títulos de dívida é que os títulos de curto prazo, que pagam ao credor em um período de meses ou poucos anos, oferecem uma taxa de juros menor do que os títulos de longo prazo, a serem pagos em 5, 10 anos ou até mais em muitos casos.

Essa tendência decorre da própria lógica, já que o credor que abre mão do seu capital principal durante uma maior fatia de tempo necessariamente desejará ser melhor remunerado por isso, de modo que títulos que vençam em um prazo mais longo terão de oferecer juros maiores para os seus detentores.

Entretanto, algo que vem se observando nos últimos tempos é a inversão da curva de juros, algo que historicamente tem antecipado as crises econômicas americanas. O spread, ou a diferença, entre os juros dos títulos do tesouro americano de 10 anos e os títulos de 3 meses tem se chegado próximo a zero, ou seja, alguém que abre mão de seu dinheiro por 10 anos irá ganhar, em juros anuais, quase o mesmo que alguém que abre mão do dinheiro por apenas 3 meses, o que representa uma distorção do mercado de títulos americanos.

A inversão da curva de juros dos títulos americanos é um sintoma da deterioração da liquidez e necessidade de refinanciamento de dívidas provocada pelo ciclo de expansão anterior e, por isso, quase sempre ao longo da historia previu a ocorrência de uma crise de alguns meses até 2 anos depois de verificada.

Em alguns casos, o spread entre um título de longo prazo e um de curto prazo se encontra negativo, como é o caso das notas do tesouro americano  o que denota ainda mais a queda brusca na liquidez desde o último ciclo expansionista, iniciado em 2009.

 

Como se proteger da próxima grande crise?

 

Com a junção dos dois fatores discutidos acima, torna-se quase inevitável a ocorrência de uma crise global em breve, e provavelmente será uma ainda pior do que a de 2008, dados que as causa de qualquer crise econômica – expansão artificial da liquidez impulsionada pelo banco central – estão se verificando em ainda maior intensidade. Mas como é possível se proteger contra essa crise?

Bom, a primeira questão aqui é se lembrar de que toda crise traz em si também uma grande oportunidade, pois muitos dos ativos de alta qualidade e caros demais durante o momento de boom se tornam suficientemente baratos para que possam ser comprados em grande quantidade por investidores perspicazes.

De fato, muitos investidores enriqueceram em momentos de crises. John Templeton, sobre o qual já falamos aqui, saiu de uma infância pobre para se tornar um bilionário em grande parte devido a ter sabido aproveitar o momento econômico da segunda guerra mundial, na qual grande parte dos investidores ficou com medo e parou de aplicar dinheiro no mercado, barateando em larga escala ações de empresas com excelentes fundamentos.

Para usar um exemplo mais atual, o maior investidor do mundo Warren Buffet esta atualmente em uma posição extremamente líquida. O fundo da Berkshire Hattaway atualmente possui 120 bilhões de dólares – de um total de 200 bilhões – em dinheiro. Buffet parece estar se preparando para as compras à espera da próxima crise.

Portanto, a primeira forma de se preparar para a próxima crise é manter um mínimo de liquidez, dinheiro em caixa para investir quando os ativos caírem vertiginosamente de preço na próxima crise.

Um segundo método é investir em ouro físico. O ouro, apesar de muitas mudanças ocorridas no cenário econômico global ao longo das últimas décadas continua sendo uma reserva de liquidez, já que, por definição, não pode ter seu valor depreciado.

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