Tudo o que você sempre quis saber sobre o dólar

Tudo o que você sempre quis saber sobre o dólar
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Atuar no mercado de capitais e lidar com investimentos exige um estofo de conhecimento que vai além de teorias e maneiras de investir. É necessário entender outros agentes do mercado e saber usar todo conhecimento adquirido a favor de suas estratégias e escolhas. Dentre os vários campos de aprendizado há um que é realmente imprescindível: o estudo sobre o dólar. Isso mesmo! Não chega a ser uma grande surpresa, uma vez que, mesmo não atuando diretamente com a economia, estamos muito acostumados a ouvir noticias e menções ao dólar. A moeda mais importante do mundo rege grande parte do mercado financeiro e torna-se imprescindível obter conhecimento sobre sua história, valor e importância para a economia mundial. Vamos abordar adiante, de maneira mais detalhada, aspectos variados e informações valiosas sobre o dólar e também como investir sobre ele.

História

Atualmente, o dólar americano é hegemônico e incontestavelmente uma das moedas mais importantes no mundo, tanto que é usada na captação de reservas internacionais por Bancos Centrais de variados países, além de ser referência monetária em qualquer negócio em nível global. Porém, o dólar nem sempre foi o a “estrela da companhia”.  Sua força e hegemonia tem início em um período até recente da nossa história, após a Segunda Guerra Mundial. Você sabia que até a metade do século XIX os Estados Unidos tinham muito pouca credibilidade no cenário internacional? Neste período, a libra esterlina, originária da Inglaterra, era quem tinha status de moeda internacional. Além disso, ao contrário da maioria dos grandes países europeus, a Constituição norte-americana não apresentava nenhuma lei que deixasse na mão do Estado o controle total da emissão de moeda. Tratava-se de um cenário extremamente prejudicial a economia, uma vez que gerou a existência sem qualquer controle de diferentes formas de pagamento. Nessa época, qualquer pessoa podia abrir um banco e emitir cédulas sem autorização ou qualquer controle do governo. Algo completamente impensável nos dias atuais.

Voltando um pouco mais no tempo, especificamente no ano de 1776, chegamos ao momento da criação do dólar, que ocorreu em virtude da necessidade do surgimento de uma moeda capaz de financiar a Guerra de Independência dos Estados Unidos e impulsionar a economia do novo país que viria a se erguer. O dólar foi aprovado pelo Congresso Continental, das já independentes treze colônias, como moeda nacional no ano de 1786. O nome escolhido: dollar é originário da palavra thaler, famosa moeda de prata que circulava na Europa durante o século XV. Para se ter uma noção desta mudança de cenário em reação à relevância do dólar, estima-se que, em 1995, mais de 380 bilhões de dólares estavam em circulação, e dois terços deste montante estavam fora do território norte-americano.

Valores de Mercado

Agora que você sabe um pouco mais sobre a origem do dólar, vamos falar de algo mais próximo a nossa realidade e identificar seus diferentes valores de mercado:

Dólar Turismo

Famosa por ser diariamente procurada por turistas e brasileiros que vão viajar, é a cotação do dólar usada basicamente para emissão de passagens, transações variadas de turismo no exterior e débitos em moeda estrangeira, mesmo sem ser em países com dólar, gerados no cartão de crédito. Também é popularmente conhecido como câmbio flutuante. No Brasil, em virtude da nossa legislação vigente, não é permitida a utilização dessa moeda como forma de poupança. Apesar disso, não existe um limite estipulado para transações com o dólar turismo, e acaba sendo o usual a utilização desta cotação para o pagamento de serviços, mesmo os realizados no em território brasileiro.

Dólar Comercial

Não há segredo: o dólar comercial é simplesmente o valor de mercado utilizado para transações de comércio exterior e movimentações financeiros de importação e exportação. Brasileiros que residem no exterior e buscam empréstimos junto ao Banco Central também acompanham a conversão por meio do dólar comercial. Outro momento em que esta cotação é utilizada se dá quando o governo realiza movimentações financeiras no exterior. A taxa de conversão do Real para o Dólar é definida por base na demanda e oferta da moeda no mercado. As vezes nosso Banco Central compra ou vende dólar apenas com a finalidade de estabilizar ou manipular o preço da moeda.

Dólar Paralelo

O nome já é autoexplicativo: trata-se da moeda que circula fora dos meios oficiais. Geralmente, é utilizado por aqueles que desejam realizar transações ilícitas e fora da supervisão do Banco Central. Há muitos exemplos de utilização do dólar paralelo como em lavagem de dinheiro, sonegação, tráfico e outras atividades criminosas. Aqui entram em cena os famosos doleiros. A curiosidade é que este mercado é movimento com a grande presença dos doleiros, em outras palavras, aqueles que não possuem registro ou certificado ou ainda não têm capacidade para atuar no mercado tradicional. Apesar disso, a movimentação neste mercado é bastante alta.

Por que sempre há diferença entre o valor de compra e venda?

Não há como escapar dessa regra. Não importa o tipo de cotação dólar que você esteja lidando, o preço do dólar a ser pago para comprá-lo do mercado será sempre mais alto do que o valor ofertado pelo mercado para comprá-lo de você. Então, nossa dica é muito simples: se for vender dólares, estabeleça as maiores taxas possíveis. Se for comprar, procure as menores.

Curiosidade sobre o Dólar

  • Você sabia que o dinheiro americano não é fabricado de papel. O “papel-moeda” usado norte-americano é composto por 75% de algodão e 25% de linho, com pequenas fibras sintéticas azuis e vermelhas entrelaçadas. Porém, antes da Primeira Guerra Mundial as fibras eram de seda.
  • As notas de dólar impressas antes de 1996 são apelidadas de cabeça pequena em nossas casas de câmbio. Os compradores até pagam menos por elas, com o argumento de que estão saindo de circulação. Porém, todas as cédulas são aceitas no território americano, independentemente do ano de impressão.
  • O famoso Bureau of Engraving and Pinting é a casa da moeda americana, responsável por produzir cerca de 37 milhões de cédulas diariamente. O que chama atenção é que 95% das novas cédulas são direcionadas para substituir cédulas em circulação.
  • Cerca de 45% das notas impressas diariamente na casa da moeda norte-americana são de 1 dólar.
  • A figura presente na nota de 1 dólar é a fotografia do presidente George Washington, que ocupou a cadeira da presidência norte-americana entre os anos de 1789 e 1797.
  • A cédula de dólar pode ser dobrada até 4 mil vezes antes de se deteriorar. Resistente, não?
  • Desde 1969, a nota de 100 dólares é a cédula de maior valor do dinheiro americano em circulação.
  • Além dos Estados Unidos, o dólar é a moeda oficial de outros países como Timor Leste e Porto Rico. Porém, muitas nações também adotam o dólar como padrão para conversões. O Uruguai, nosso vizinho de continente, é um deles.
  • Cerca de 97% das notas de dólar em circulação apresentam indícios de cocaína
  • Por ser pouco manuseada, a nota de 100 dólares pode durar até nove anos, e a nota de 1 dólar dura em média apenas 1 ano e cinco meses.
  • A nota de 1 dólar é a mais conhecida e manuseada e todo o mundo.

Investimento em Dólar

Como não poderia ser diferente, o dólar também é uma importante e disseminada fonte de investimento e vamos falar a seguir sobre algumas dessas formas de investir na moeda. Antes de detalhar cada modalidade, é importante ressaltar que o dólar até pode permitir altos ganhos, mas um ativo de risco e, como isso, muitos investidores devem utilizar estes investimentos como apenas uma parcela na carteira de investimentos.

Investindo em Papel Moeda

É a mais simples forma de investir, por meio da compra em espécie. Apesar disso, não é uma boa opção para aqueles que desejam dólar como forma de investimento. Realizando a compra de moeda nas casas de câmbio será necessário ter de arcar com taxas como spread e IOF, encarecendo muito o preço dólar. Sem contar no perigo e insegurança em armazenar fisicamente o dinheiro em casa, seja pelo risco roubos e também da simples deterioração do papel moeda. Sim, isto é possível! Este tipo de compra é indicado apenas aos que pretendem viajar para o exterior ou adquiri algum produto importado.

Ações de Empresas que praticam exportação

A compra de ações de empresas que operam no mercado internacional também pode ser uma forma de investimento indireto em dólares. As grandes exportadoras recebem suas receitas em dólar e pagam as despesas em real, e com isso alcançam aumentos nas receitas e lucros na medida em que o dólar valoriza, e vice-versa. Em outras palavras, as companhias ganham reais quando o dólar aumenta, e perdem quando ele cai.

Mercado Forex

O dólar também pode ser negociado nos mercados de câmbio, os chamados Forex (Foreign Exchange Market).O mercado Forex  também exerce uma boa opção para aqueles que desejam investir, mas fugindo dos usuais investimentos da bolsa de valores, ou pretende diversificar seus investimentos de maneira simultânea, uma vez que ele é responsável por oferecer a maior liquidez em escala global. Os investidores que estão no mercado Forex precisam necessariamente ficar  atento e relação às especulações sobre  moedas de todo o mundo, além de atentar para fatos políticos e econômicos que vão diretamente influenciar nas valorizações ou desvalorizações dentro deste mercado, Com isso, nesse ambiente, os ganhos ou perdas podem ser imensos e em questões de minutos. Isso ocorre porque as cotações das moedas são bastante voláteis, sendo completamente necessário dispor de experiência, conhecimento e estratégias sólidas de investimento.

Fundos Cambiais

Estamos falando de uma maneira bastante simplificada de diversificar a carteira de investimentos, e consequentemente proteção do patrimônio do investidor. São fundos de investimentos que possuem, pelo menos 80% dos recursos diretamente relacionados a variação de preços de moedas estrangeiras, e o restante é aplicado em títulos e operações de Renda Fixa. Porém, é necessário ter atenção porque os fundos em questão não investem somente em Dólar, podendo lidar com outras moedas estrangeiras, influindo na rentabilidade final. Além disso, há cobrança de Imposto de Renda nos fundos de investimento, além da taxa de administração do fundo.

Contratos Futuros

A compra de minicontratos cambiais, os chamados “Mini Dólar” é uma outra forma de investir na moeda por meio do chamado mercado futuro, Estes minicontratos permitem que seja realizada uma aposta na cotação futura da moeda, de modo que existe a possibilidade de ela valorizar ou não no período vigente de contrato. Nesta modalidade é possível realizar o chamado day-trade, que consiste no resgate a qualquer momento destes contratos. Neste caso, os tributos são os mesmos da renda variável, ou seja, abaixo dos praticados nos fundos cambiais, que segue a tributação da renda fixa.

Dólar para o Real

Nas décadas de 1980 e 1990, era comum o pensamento de muitos economistas ser favorável a chamada dolarização da economia brasileira. Segundo os estudiosos, tratava-se de uma forma de rompimento com o ciclo vicioso da inflação. Vale ressaltar que nesta época enfrentávamos uma inflação altíssima, classificada como hiperinflação. Porém,, havia uma corrente contrária formada por economistas que tinham certo receio na adoção desta prática, ainda mais ao se deparar com o exemplo enfrentado pela Argentina ao sofrer com a  incapacidade de arcar com o pagamento destes valores, culminando no abandono desse sistema. Há ainda quem diga que o famoso Plano Real foi, ainda que por um breve período, certo tipo de dolarização da economia brasileira. Isso se deu porque a  URV (Unidade Real de Valor) apresentava cerca do valor equivalente a 1 dólar. Como já de conhecimento geral, após a desvalorização do real, ocorrida e meados de 1999, ocorreu o descolamento da moeda norte-americana, atrelada à adoção do câmbio flutuante.

Como é de nosso costume, ressaltamos que é um item fundamental para qualquer investidor buscar e devorar informações e conhecimento sobre o mercado financeiro. Este crescimento pessoal, em termos de capacitação, é crucial para o real entendimento sobre o funcionamento dos diversos mercados e com isso desenvolver estratégias e táticas de atuação. Portanto, procure absorver o máximo que puder sobre todos os campos da economia e investimentos. Assim, fatalmente será recompensado no futuro ao trilhar um caminho baseado em escolhas baseadas em uma base sólida de conhecimento sobre a economia de uma maneira abrangente.

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