Forjas Taurus: Há alguma esperança de melhoria a longo prazo?

FJTA4

A Forja Taurus, fabricante de armas brasileira, surgiu em 1939, na cidade de São Leopoldo, RS, graças a um contrato de importação de bens de produção da Alemanha, numa ambiente altamente favorável aos negócios no Brasil, que vivia um momento de crescimento e industrialização sob o comando de Getúlio Vargas, apesar da iminência da II Guerra Mundial.

Com a eclosão do conflito, a importação das máquinas da Alemanha foi suspensa e os proprietários decidiram criar seu próprio maquinário de produção. A empresa tornou-se S/A em 1949, enquanto focava sua produção em armas e ferramentas. Com o aumento do consumo de armas no país, a empresa experimentou nos anos seguintes um ciclo de crescimento, com criação de uma segunda fábrica.

Depois de ter passado ao controle de uma empresa estrangeira, a Taurus voltou a ser controlada por uma empresa nacional, a Polimetal, que adquiriu, na década de 80, o capital da Comércio Beretta S.A., uma fabricante italiana de pistolas e metralhadoras. A empresa, com isso, entrou no mercado de pistolas semiautomáticas.

Depois de ampliar ainda mais o escopo de seus negócios, a empresa foi, em 1995, certificada com o ISO 9000 pelo Instituto Brasileiro de Qualidade Nuclear (IBQN). Já no final do século XXI, a empresa alcançou a posição de terceiro maior fabricante mundial de pistolas curtas.

O início do século XXI foi de progresso no mercado internacional, quando a empresa recebeu vários prêmios por seus produtos. Durante o século XXI, seguiu sua expansão e atualmente vem atuando nos seguimentos de:

– armas e acessórios;

– capacetes e acessórios;

– contêiners e plásticos;

– M.I.M. (Metal Intection Molding).

A Taurus emprega mais de 1,8 mil colaboradores e possui três unidades, duas no Brasil e uma em Miami (EUA). Com produção mais voltada para o mercado externo, a companhia exporta para mais de 100 países.

História recente

Apesar dos oitenta anos de existência e da boa posição mercadológica, a empresa ganhou a atenção da população recentemente, em virtude da subida no cenário eleitoral, ao longo do ano de 2018, do então candidato Jair Messias Bolsonaro.

Ações Forjas Taurus

O candidato adotou como principal lema de campanha a liberação da posse e do porte de armas de fogo, o que, em tese, beneficiaria à Taurus, já que a empresa teria as melhores condições para abastecer o mercado interno, com foco em público de alta renda.

As ações da Taurus dispararam durante o ano de 2018 e terminaram pulverizadas já no início de 2019, quando da assinatura pelo então presidente eleito do decreto que regulamentava a posse de armas, que em nada atendia à expectativa de consumo alimentada ao longo da campanha política.

Euforia do mercado à parte, os negócios da Taurus pouco foram afetados pela onda especulativa, já que, conforme já foi dito, a produção de armamentos da empresa é voltada para o mercado internacional, além do que não é o único negócio da companhia.

O total em ativos da companhia alcança a cifra de R$ 1,012 bilhão, contra uma dívida líquida de R$ 734 milhões, que atingiu sua máxima histórica no terceiro trimestre de 2018, quando chegou perto dos R$ 900 milhões, entrando, desde então, em trajetória de queda.

Apesar disso, o patrimônio líquido da empresa é negativo, somando (-) R$ 305,7 milhões, mas vem se recuperando nesse item desde o terceiro trimestre de 2018. Um bom parâmetro de comparação são os resultados obtidos pela companhia no segundo trimestre de 2019 frente aos 12 meses antes da publicação do balanço de junho de 2019.

O lucro obtido em 12 meses pela companhia foi de R$ 80,4 milhões. No segundo trimestre de 2019, o lucro apurado foi de R$ 43,6 milhões. O acumulado no ano é de R$ 47,7 milhões. A receita líquida da empresa foi recorde no primeiro semestre de 2019, alcançando pela primeira vez a marca dos R$ 900 milhões.

Em setembro de 2019, a Taurus venceu concorrência internacional para o fornecimento de fuzis T4 à Polícia Civil de São Paulo. Entre 6 e 15 daquele mês, a empresa registrou cerca de 2 mil pedidos diários durante participação no evento conhecido como “Semana do Brasil”.

A empresa apresentou aumento de 16,4% da receita operacional no segundo trimestre de 2019 em relação ao mesmo período de 2018. No mesmo período, foi registrada uma margem bruta de 34,5% e 24,2% de EBITDA.

FJTA4

A FJTA4 é a ação preferencial da Forjas Taurus. Cotada a R$ 3,36 em 30 de setembro de 2019, registrava queda acumulada no ano de 17,04%, contra a valorização de 131,43%, lastreada na onda especulativa relacionada à liberação do porte de armas.

Quem soube perceber o movimento especulativo soube também a hora certa de vender as ações e realizar lucro. Desde outubro de 2007, quando alcançou sua cotação máxima, de R$ 41,53, o preço da ação vem oscilando para baixo.

Parte da pouca procura pela ação deve-se ao histórico de proventos da companhia, igual a zero desde o último pagamento no primeiro trimestre de 2018, além do histórico recente de prejuízos financeiros.

Vale a pena investir?

Atualmente, a ação está cotada pelo mercado a -0,97 do patrimônio líquido. O valor patrimonial por ação é negativo em R$ 3,46.

Não há dúvida de que a ação está depreciada em relação à atual performance da empresa, que vem obtendo, nos últimos trimestres, números bastante positivos, seja quanto à receita, lucratividade, margem e patrimônio líquido. O problema é o alto grau de endividamento.

É preciso acompanhar atentamente os próximos resultados. Não parece ser esse, ainda, o melhor momento para comprar, ainda que o preço pareça tentador. O negócio da Taurus é bastante sujeito a variações na demanda, o que talvez sugerisse um portfólio mais variado de produtos para sustentar a rentabilidade do negócio.

Sendo assim, é melhor, por ora, ficar em cima do muro, mas a resposta para a pergunta que intitula esse artigo é positiva. Há, realmente, esperança de melhora no longo prazo, mas ainda não parece ser a hora de investir.

Conheça as lições de investimento de John Bogle

John Bogle

Vamos falar um pouco de John Bogle e aproveitar para fazer uma análise abrangente da metodologia do especialista em investimentos que é considerado uma das quatro principais referências históricas no mercado de capitais.

Começamos falando de um fundamento clássico para compra de ações de Benjamin Graham, considerado o pai da análise de ações. Os fundamentos criados por Graham estão na gênese do pensamento, além de Bogle, do laureado Warren Buffet.

Graham recomendava e praticava a compra de ações de companhias cujo preço estivesse fixado a no máximo 2/3 do capital de giro líquido. O capital de giro líquido é a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante. A característica principal dessas companhias é a capacidade de honrar com os compromissos no curto prazo e, num cenário ainda mais otimista, ter capacidade de investimento para suportar estratégias de recuperação e crescimento.

Sim, a ideia é investir em empresas em processo se liquidação, mas com alto potencial de recuperação. Esse potencial seria comprovado caso a empresa tivesse os seguintes fundamentos:

– boa estimativa de lucros futuros;

– boas perspectivas de crescimento no longo prazo;

– bons fundamentos administrativos;

– boa saúde financeira e boa estrutura de capital;

– bom histórico de pagamento de proventos;

– Dividend Yield satisfatório.

Nem é preciso dizer que, observando quem são seus discípulos, Graham é considerado o pai da análise fundamentalista de ações. O que nos leva ao Value Investing, a estratégia presente na cartilha dos principais nomes do século XX, quando surgiram as grandes referências e técnicas de investimento no mercado de ações.

Para quem ainda tem dúvidas sobre o tema, o value investing nada mais é que a compra de ações que estejam subvalorizadas em relação ao seu potencial de geração de rentabilidade sobre o capital, seja no aspecto da valorização, seja por conta da remuneração via proventos.

Basicamente, essas duas formas de remuneração sobre o capital refletem visões diferentes. Enquanto os proventos refletem o resultado real da empresa para os acionistas, que é o lucro líquido dentro do exercício e a participação dos mesmos nesse lucro, a valorização da ação reflete a visão do mercado acerca da condição futura da companhia.

Nem sempre, no entanto, o mercado espelhará de forma fidedigna essa visão de futuro, podendo ser subestimada, gerando oportunidades para quem souber ler os fundamentos da empresa e comprar, se possível, em grandes quantidades, os papéis da companhia. Se possível, deve-se adquirir uma participação que garanta poder na mesa de decisões da empresa.

John Bogle e a filosofia de custo mínimo

A partir do que podemos chamar de “commodity teórica” do value invest, temos cada um dos principais nomes do mercado oferecendo seu pacote de capacidades e estratégias peculiares, naturalmente apropriadas, por conta dos resultados demonstrados, por outros investidores. É assim que se constrói o conhecimento, não só na área de investimentos, mas em todas as áreas do conhecimento humano.

John Bogle

Bogle foi nada menos que o criador do primeiro fundo de índice da história, cuja principal premissa é de que dificilmente um investidor individual será capaz de bater o mercado, da mesma forma que, no longo prazo, a tendência da Bolsa de Valores é sempre de crescimento.

Vale ressaltar que os índices de que falamos são carteiras hipotéticas, geradas para entregar ao mercado uma visão das tendências, desempenho passado e presente do mercado de ações. O fundo Ibovespa, por exemplo, reflete o desempenho das companhias de maior liquidez do mercado brasileiro, cujas ações são responsáveis por mais de 80% das negociações na B3. Temos, também, o índice Nasdaq, que reflete, basicamente, o desempenho das empresas do setor de alta tecnologia, entre outros.

O fundo de índice nada mais é que a criação de uma carteira real que espelhe a composição desse índice, com cada empresa que o compõe tendo respeitada sua participação na referida carteira. Desse modo, ela reproduzirá, de forma mais ou menos precisa, as variações do mercado. Ou, em algumas hipóteses, o do respectivo setor ou nicho, já que temos múltiplos índices, cada qual refletindo a realidade do desempenho das ações de um grupo de empresas que possuam alguma característica em comum.

Graham categorizaria tal tipo de investimento como defensivo, o que quer dizer, em outras palavras, aquele em que o investidor estrutura uma carteira e deixa-a ligada no piloto automático, sem a necessidade de um esforço de gestão permanente.

É onde surge outro fundamento importante e grande contribuição de Bogle para o mercado, que é a gestão de custos. Fazer a gestão de um fundo de índice é o oposto, por exemplo, à gestão de um fundo de hedge. Enquanto o primeiro estrutura uma carteira para o longo prazo, o segundo busca rentabilidade quase que diária, com movimentos agressivos e sistemáticos para a obtenção do resultado.

A grande diferença, sem dúvida alguma, são as taxas de administração e de performance, baratas quando se trata de fundo de índice e caríssimas quando se trata de um fundo  hedge. A razão, mais do que óbvia, é que no segundo caso é preciso remunerar gestores full time e com grande capacidade de leitura dos movimentos de curto prazo do mercado.

Bogle morreu em 17 de janeiro de 2019, deixando como grande legado o Vanguard Group, além de alguns livros, com destaque para o primeiro: “Enough: The Measures of Money, Business and Life”.

Com sua política de custo baixo para o investimento, a Vanguard vem atraindo cada vez mais investidores nos Estados Unidos.  Para termos uma ideia do que representam os fundos em índice nos Estados Unidos, entre 2013 e 2016, os investidores colocaram US$ 823 bilhões em fundos da Vanguard. Estamos falando de valores líquidos, o que significa ter contabilizadas as entradas e saídas dos fundos.

Os dados são da Morningstar, instituição que faz o monitoramento do desempenho dos fundos, que aferiu que todos os demais fundos mútuos juntos alcançaram, no mesmo período, um saldo de apenas R$ 97 bilhões. Na ocasião, quase 75% dos investimentos nos fundos da Vanguard eram em fundos passivos. Uma das boas razões, embora não a única, é que a taxa de administração dos fundos passivos da Vanguard é de módicos 0,12% a.a.

Premissas de Bogle

Para podermos sintetizar a visão de investimentos de John Bogle, podemos nos concentrar em alguns ensinamentos atemporais:

1 – O primeiro passo é investir logo e sempre, pois o tempo é parceiro do investidor.

2 – Sempre se deve levar em conta o custo da rentabilidade obtida, pois este pode consumir grande parte dela.

3 – Equilibre risco, retorno e custos na composição de sua carteira de investimentos, usando como principal fundamento a simplicidade.

4 – Elimine as emoções e a impulsividade, pois essa dupla é a mãe dos erros. Use de estratégia bem fundamentada e racionalidade para se tornar imune à inconstância do mercado.

5 – Se a sua estratégia é bem fundamentada, siga-a, pois mudanças bruscas podem levar você a agir com base em estratégia alguma, que é o que de pior pode acontecer.

Devo investir em ações da Multiplan?

MULT3

É nos shopping centers que duas forças da economia se encontram: setor de consumo e setor imobiliário. A Multiplan é a empresa brasileira que conhece como poucas a promoção desse encontro, cujos convidados são lojistas, grandes marcas e consumidores.

Foi criada em 1974, atuando, desde então, na gestão de alguns dos maiores complexos de consumo do Brasil, dentre os quais: Barra Shopping, New York City Center e Villagge Mall (Rio de Janeiro); Morumbi Shopping, Jundiaí Shopping e Shopping Anália Franco (São Paulo); BH Shopping e Pátio Savassi (Minas Gerais); Park Shopping (DF); Park Shopping Barigui (PR); Parque Shopping Maceió (AL) e Park Shopping Canoas (RS).

mult3

Além disso, a Multiplan é responsável por diversos condomínios residenciais e empresariais no Rio de Janeiro e em São Paulo, como o Barra Gonden Green (RJ) e o Morumbi Office Tower (SP)

No total, são 19 unidades em operação, mais de 2 milhões de metros quadrados construídos, 5.800 lojas e 190 milhões de consumidores atendidos anualmente.

Esse verdadeiro império imobiliário surgiu em 1963, quando José Isaac Peres fundou a Veplan Imobiliária Ltda, que atuava no segmento de incorporação e promoção de venda de imóveis.

A Veplan chamou atenção do mercado ao lançar, vendendo todas as unidades em apenas dois dias, o edifício Cidade do Rio de Janeiro, no Centro da Cidade.

Quando, em 1971, abriu capital na Bolsa de Valores, a Veplan já era uma das principais incorporadoras do país. Posteriormente, veio a fusão com a H.C. Cordeiro Guerra, originando a Veplan-Residência.

O primeiro shopping lançado, inaugurado em 1975, foi o Shopping Center Ibirapuera. A experiência entusiasmou Peres, que vendeu sua participação na Veplan-Residência e fundou, em 1977, a Multiplan, já com o propósito de explorar e desenvolver o mercado de Shopping Centers.

Já em 1979, a Multiplan inaugurou o BH Shopping, primeiro projeto a sair do papel, seguido do Barra Shopping (1981), Ribeirão Shopping (1981), Morumbi Shopping (1982) e Park Shopping Brasília (1983).

Em 1991, a Multiplan inaugurou o Caiscai Shopping, em Portugal, primeira experiência internacional. Nos anos seguintes, vieram o Barra Golden Green, primeiro condomínio residencial, e o Morumbi Office Tower, primeiro condomínio empresarial.

A receita da Multiplan, apesar da ligação com consumo, é decorrente de operações imobiliárias e serviços, sendo composta por venda e locação de imóveis, exploração de estacionamentos e outros serviços.

Histórico recente da Multiplan

O último balancete da Multiplan foi divulgado em 30 de junho de 2019. O resultado do primeiro semestre apresentou R$ 632,7 milhões em receita líquida, contra R$ 598,5 milhões no mesmo período em 2018.

O lucro, no entanto, não acompanhou a trajetória, apresentando queda de 15% na mesma comparação de períodos. Em 2019, a empresa apresentou lucro líquido de R$ 207,2 milhões, contra R$ 243,8 milhões em 2018.

Os ativos da Multiplan somam R$ 9,4 bilhões, contra uma dívida bruta de R$ 3,1 bilhões, inferior ao Patrimônio Líquido da empresa, que é de R$ 5,5 bilhões.

O lucro líquido médio anual, de acordo com o último balancete, era de R$ 434,3 milhões, suficiente para pagar a dívida líquida, de R$ 2,21 bilhões, sem contar a correção, em 5 anos.

A receita líquida vem apresentando crescimento regular desde 2010, assim como a margem média bruta e o Ebit. Quanto ao lucro líquido, vem oscilando para cima no mesmo período.

O ativo e o patrimônio líquido, de uma forma mais ou menos acentuada, acompanham a curva para cima, assim como a dívida líquida, um processo natural em se tratando de um empreendimento em expansão.

Desde 2010, a Multiplan lança pelo menos um grande empreendimento por ano. Em 2015, inaugurou o Diamond Twoer e o Résidence du Lac, anexos ao Barra Shopping Sul. Em 2016, inaugurou a expansão do Centro Médico Barra Shopping, além de aumentar sua participação acionária no shopping carioca e no Morumbi Shopping.

Em 2017, inaugurou o Park Shopping Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, no qual investiu R$ 500 milhões. Destaque para o conceito aplicado ao empreendimento, que uniu ao tradicional mix de entretenimento e compras uma visão de integração com a natureza, sendo ligado por passarelas ao Parque Getúlio Vargas.

Em 2018, iniciou as obras do Park Jacarepaguá, que será o 20º complexo de consumo da companhia.

MULT3

A MULT3 é a ação ordinária da companhia, negociada, em 24 de setembro de 2019, a R$ 28,57. O desempenho em 2019, até então, era um crescimento de 18,7% no valor da ação. Em um ano, a valorização era de 57,15%. Em 2016/17/18, a ação valorizou, respectivamente, 57,36%, 21,82% e 4,38%.

Atualmente, o mercado está pagando 3,14 vezes o valor do patrimônio líquido, que é a base de cálculo para venda da companhia. Desde 2007, o gráfico da MULT3 se apresenta consistente, com trajetória de alta acompanhando os resultados da empresa.

A decepção é o Yield de apenas 1,5%. Em se tratando de uma empresa do ramo imobiliário, o investidor esperaria uma rentabilidade maior sobre o capital investido. Como já evidenciado, esse desejado retorno sobre o capital é mais provável, devido à trajetória de investimento e crescimento da companhia, por meio da valorização da ação.

Vale a pena investir?

A questão é saber se é possível manter o ritmo regular de crescimento da Multiplan, que ignora solenemente a crise econômica desde 2016.

A resposta é que o setor de shopping centers inaugurará 15 novas unidades no Brasil até o final de 2019. Isso indica que o setor vê com otimismo o futuro das grandes unidades de consumo e entretenimento.

Pode ser justificado um temor decorrente da expansão do e-commerce, mas a grande verdade é que estamos falando de experiências diferentes de consumo. Em grande parte, os shoppings atendem a um público de bom poder aquisitivo, disposto a pagar para usufruir uma experiência de compra e entretenimento com a segurança de um shopping center.

Além disso, a tendência é de que as empresas integrem seus canais físicos e digitais, gerando uma experiência mais completa de consumo, onde a ideia de competição entre canais ficará defasada.

Além disso, ainda que houvesse um arrefecimento na demanda por complexos de consumo e entretenimento, a Multiplan inverteria a trajetória de investimentos, tornando-se, assim, uma boa vaca leiteira.

Para quem tem muita paciência, vale a pena esperar uma queda para um patamar próximo aos R$ 17,00. Seria uma grande oportunidade de compra, já que remete a um suporte persistente desde dezembro de 2016. O risco de ficar a ver navios seria menor numa oferta de compra na faixa dos R$ 22,00. Em ambos os preços, a tendência é de valorização no longo prazo. Ao que tudo indica, valeria a pena incluir a Multiplan na carteira, contanto, claro, que aproveitando um movimento de queda.

 

 

 

 

Tudo sobre a Nasdaq

Nasdaq

Nasdaq é um termo recorrente no noticiário econômico. Trata-se de um dos principais mercados de capitais dos Estados Unidos e do mundo, cuja cotação é realizada em Wall Street.

Nasdaq (Nacional Association of Securities Dealers Automatic Quotation System) é um sistema de cotação automática, como diz o nome, que reúne preços de valores mobiliários negociados em balcão e de ações de empresas de alta tecnologia de Nova York.

As empresas que compõem o Nasdaq Composite Index, um dos principais índices de desempenho de mercado do mundo, são das áreas de internet, informática e biotecnologia. Junto com o S&P 500 e o Dow Jones Average, compõe o seleto grupo dos principais indicadores de mercado de ações dos Estados Unidos.

A Nasdaq é, atualmente, a segunda maior Bolsa de Valores do Mundo, atrás apenas da também estadunidense Nyse (New York Stock Exchange), tendo mais empresas listadas que a líder. O volume em dinheiro negociado na Nyse é, no entanto, bastante superior.

História da Nasdaq

A Nasdaq foi fundada em 1971 para ser operada pelo grupo Nasdaq OMX. Foi o primeiro mercado eletrônico do mundo, embora, no começo, não fizesse intermediação de compra e venda de valores.

NasdaqAté o final da década de 80, era conhecida como mercado de balcão, que operava à margem da Bolsa de Valores. Foi o primeiro mercado de ações a fazer negociações eletrônicas nos Estados Unidos.

Em novembro de 2007 comprou a PHLX (Philadelphia Stock Exchange), mercado de ações mais antigo do continente americano. No começo da década de 90, uniu-se à Bolsa de Londres, criando o primeiro mercado intercontinental de valores mobiliários.

Um dos principais índices de mercado nos Estados Unidos é o Nasdaq-100, representado pelas cem maiores empresas não pertencentes ao setor financeiro listadas na Nasdaq, incluindo empresas não locais, cujos critérios de admissão são iguais aos impostos às empresas estadunidenses.

O caso das “pontocom”

Era o ano de 1995, período em que a informática era percebida pelo mercado como o paradigma de futuro para as organizações. E, na verdade, era mesmo, só que não a informática, mas a tecnologia da informação e a automação de processos com base em soluções tecnológicas.

Naquele momento, acreditava-se que as empresas da área de informática dominariam o mundo e que não haveria teto para o crescimento. O Nasdaq Index Composite acompanhou essa onda. Após bater, pela primeira vez os mil pontos, em 17 de julho de 1995, o índice iniciou uma espetacular disparada. No final de 1999, quatro anos e meio depois, já batera os 4 mil pontos. Alguns meses depois, o índice ultrapassou os 5 mil pontos.

O caso das pontocom é um retrato fiel de como a cegueira provocada pela euforia pode esconder a realidade, da mesma forma que o pânico pode esconder as oportunidades.

Ainda no começo de 2000 começaria a queda da cotação, na mesma rapidez vertiginosa com que subira, de tal modo que durante o ano de 2002 chegou a se aproximar dos mesmos 1000 pontos obtidos em 1995.

Passado o pânico, os valores voltaram a subir, mas refrearam diante da crise financeira provocada pela bolha do crédito imobiliário nos Estados Unidos em 2008/09. Nos anos seguintes, começou a ficar claro que a tecnologia da comunicação, a automação e a TI dariam um passo bem maior do que tornarem-se pré-requisitos de competitividade no ambiente organizacional. Elas se tornariam imprescindíveis na vida de pessoas comuns.

Desde então, o crescimento até o pico anterior foi natural. Em março de 2015, a Nasdaq voltaria a superar os 5 mil pontos. Em 24 de setembro de 2019, o índice Nasdaq Composite fecha acima dos 7.700 pontos. O índice já chegou a alcançar, em 2019, mais de 8 mil pontos.

Para comprovar que as agora empresas de alta tecnologia estão no topo dos grandes investimentos, a China lançou sua própria Nasdaq em julho de 2019. As 25 empresas que abriram capital na Star Market valorizaram suas ações, só no primeiro dia, entre 285% e 520%.

Principais empresas da Nasdaq

Você sabe quais são as principais empresas listadas da Nasdaq?

Mas você sabe que a Nasdaq é o mercado das empresas de tecnologia, assim como reconhecemos a importância das companhias listadas pela participação que elas possuem no índice.

O que nos leva a, pela ordem, listarmos as seguintes empresas:

– Apple (11,36%);

– Amazon Inc. (9,55%);

– Microsoft (9,13%);

– Facebook (5,28%);

– Google (4,91%);

– Alphabet (4,19%);

– Intel Corp (3,03%);

– Cisco Systems (2,27%);

– Comcast Corp (2,09%);

– Nvidia (1,86%).

 

É possível investir no índice Nasdaq?

Você já deve ter ouvido falar no índice Ibovespa. Não se trata de uma carteira comercial de ações, mas de uma carteira virtual, composta pelas empresas de maior liquidez na B3, cujo desempenho, em conjunto, oferece um indicador confiável das tendências e movimentos da Bolsa de Valores Brasileira.

No entanto, é possível investir na carteira do Ibovespa por meio de fundos de investimentos que montam suas carteiras espelhando a do índice, de modo que os resultados do fundo acompanham, quase que de forma fidedigna, as variações do Ibovespa.

É possível fazer o mesmo com os índices estrangeiros, como o Nasdaq e o S&P500, por meio de fundos de investimento. É preciso ficar atento, no entanto, a uma peculiaridade. Você investe em real, mas o investimento é convertido em dólar. Sendo assim, no caso de queda abrupta na cotação do dólar, seu capital sofrerá desvalorização equivalente.

Ações do Banco BTG: Uma boa escolha?

Criado em 1983, o BTG Pactual orgulha-se de ser o maior banco de investimentos da América Latina, quinto maior banco brasileiro e terceiro maior banco privado do país.

Surgiu no mercado como uma DTVM (Distribuidora de Título e Valores Imobiliários). Só em 1989 a companhia carioca transformou-se em banco, quando abriu um escritório em São Paulo.

Em 2006, foi adquirido pelo suíço UBS, um dos maiores bancos da Europa, tornando-se sua principal divisão na América Latina, surgindo, assim, o UBS Pactual. Dois anos depois, foi comprado pelo BTG, dando origem ao banco hoje conhecido como BTG Pactual.ações do banco btg

Em 2014, tornou-se banco digital, funcionando como startup, com foco na experiência do cliente e em investimentos voltados para o varejo de alta renda.

Com base em números de 2018, o BTG Pactual tem uma carteira de R$ 207,5 bilhões em fundos, R$ 119,2 bilhões em Wealth Manegement, com um patrimônio líquido de R$ 18,8 bilhões.

Em 29 de março de 2018, foi apontado pelo World Finance como o melhor gestor de fortunas do país, além de melhor gestor de investimentos no Brasil, Colômbia e Chile.

Entre os produtos financeiros oferecidos pelo banco estão os investimentos em renda fixa, previdência privada, Tesouro Direto e fundos de investimento.

Histórico recente

No final de agosto de 2019, o BTG Pactual foi incorporado à carteira do Ibovespa. Dias antes, no entanto, o banco esteve no noticiário devido a um suposto envolvimento em crimes investigados pela Operação Lava Jato no âmbito da operação Pentiti.

Como consequência, as ações da companhia tiveram forte queda, chegando a perder 18,48% do valor na B3 no dia 26 de agosto.

Não foi a primeira vez que o banco esteve envolvido em escândalos. Em 2015, o controlador do banco, André Esteves, chegou a ser preso, também em decorrência de investigações da Lava Jato. Posteriormente, foi absolvido pela Justiça.

Apesar do envolvimento em escândalos, o BTG Pactual tem um histórico recente de expansão e investimentos. Recentemente, adquiriu 80% do capital da Ourinvest, ativo que comporá sua carteira de serviços digitais. No final de julho de 2019, a BR Malls anunciou a venda de R$ 697 milhões ao banco em participação em sete importantes shoppings do Brasil, o que deve reforçar ainda mais a boa capacidade de geração de caixa do banco.

No pacote, o BTG adquiriu participação nos shoppings: Ilha Plaza (RJ), Casa & Gourmet (RJ), Plaza Macaé (RJ), Londrina Norte (PR), Osasco Plaza (SP), Shopping Contagem (MG) e Capim Dourado (TO).

Os resultados financeiros recentes são alvissareiros. A empresa apurou receita líquida de R$ 2,181 bilhões no segundo trimestre de 2019, resultado 76,17% superior ao mesmo período de 2018, quando alcançou R$1,238 bilhão. No acumulado em 2019, o banco teve receita líquida de R$ 3,663 bilhões, contra R$ 2,548 bilhões em 2018, um aumento de 43,76% nas receitas.

O banco fechou 2018 com uma receita líquida de R$ 5,352 bilhões. Os números sinalizam que esse montante poderá ser de R$ 7,7 bilhões em 2019.

O banco lucrou R$ 2,361 bilhões em 2018. No acumulado no primeiro semestre de 2019, obteve lucro líquido de R$ 1,647 bilhão, contra R$ 1,223 bilhão em 2018, com crescimento de 34,7%. A projeção é de um lucro líquido, em 2019, próximo aos R$ 3,2 bilhões.

Nos últimos cinco anos, a receita do BTG cresceu 68,4%. O Patrimônio Líquido no segundo trimestre de 2012 era inferior a R$ 6 bilhões. No segundo trimestre de 2019 era de R$ 20,4 bilhões. O total em ativos, de acordo com a apuração do segundo trimestre de 2019 era de R$ 188,5 bilhões, sendo R$ 142,9 bilhões no circulante.

BPAC11

A BPAC11 é a ação UNT do BTG Pactual, uma carteira que reúne ações ON e PN, cotada a R$ 57,00 em 24 de setembro de 2019. Na mesma data, o mercado pagava 2,46 vezes o valor patrimonial da ação, o que significa dizer que, pela previsão de lucro atual, a ação cobriria a cotação atual em dez anos, o que, em tese, poderia sugerir uma valorização de mais de 100% no mesmo período, projetando o futuro.

Apesar disso tudo, o banco não está entre os melhores pagadores de dividendos do mercado. O Dividend Yield atual é de 2,5%. Em compensação, a ação é uma das que mais tem se valorizado na B3. Em setembro de 2019, acumulava uma valorização de 150% no ano.

A BPAC3, ação ordinária, havia valorizado 194%, enquanto as ações preferenciais proporcionaram ganho de 137% sobre o capital.

Vale a pena investir no BTG?

O banco tem fundamentos financeiros sólidos, uma boa administração e, comprovadamente, boas políticas estratégicas.

Como todas as instituições financeiras, vem sendo beneficiado pela política de redução de juros, que tem reduzido o custo de captação, sem que, contudo, essa economia seja repassada ao crédito ao consumidor, elevando, com isso, as margens dos bancos.

Por outro lado, o mercado brasileiro ainda vive o processo de revolução dos serviços financeiros gerado pela chegada das fintechs ao mercado. Os grandes bancos vivem um momento de reestruturação, buscando reduzir presença física e custos, trocando-os por tecnologia digital e serviços.

Não se sabe exatamente como a pizza terminará dividida, exceto que há uma fatia para todos. O BTG, ao mesmo tempo em que busca aumentar sua fatia na pizza, diversifica seus negócios, abocanhando uma fatia do ticket de consumo do brasileiro, por meio dos shoppings. É uma tendência e uma forma natural de defesa do poderio econômico das organizações financeiras.

A verdade, portanto, é que não se pode dizer que a ação do BTG está barata, tampouco podemos afirmar que não seja um bom investimento no longo prazo. A ausência de uma política mais arrojada de pagamento de proventos tira um pouco da atratividade da BPAC3.

Talvez um bom preço para comprar ações da companhia seja na faixa dos R$ 40,00, pensando no longo prazo, e um pouco abaixo dos R$ 50,00, pensando em ganhos no curto prazo, já que a atual resistência de preço está na faixa dos R$ 67,00.

Investir nas lojas americanas é uma boa ideia?

Quem nunca comprou algum item de consumo nas Lojas Americanas? Afinal, trata-se de uma das mais antigas e exitosas companhias do varejo nacional, com destacada atuação no segmento de e-commerce, por meio da B2W, seu braço digital, de quem detém o controle acionário, com mais de 60% do capital social.

A Americanas surgiu há mais de 87 anos para ser uma referência no varejo nacional. Atualmente, possui quatro grandes centros de distribuição nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Uberlândia (MG) e Recife, estrategicamente posicionados para dar suporte à cobertura de uma ampla extensão territorial.

São mais de 1500 unidades e mais de 1120 lojas físicas, distribuídas por mais de 600 cidades, além do e-commerce, que conferem à companhia destaque na venda ao consumidor de itens como jogos, brinquedos, DVDs, produtos de higiene e beleza, utilidades domésticas, lingerie e bomboniere.

Ações das lojas americanas

A B2W está entre as empresas pioneiras no segmento de marketplaces, que congrega, varejistas e atacadistas, que, através da Americanas.com, Submarino e Shoptime, podem expor seus produtos para milhões de consumidores. O mix de páginas comerciais recebe, mensalmente, mais de 150 milhões de visitas únicas.

O bom posicionamento no e-commerce, modelo de consumo que mais cresce no Brasil, desafiando a crise econômica, garante boas perspectivas para a empresa no médio e no longo prazo, perspectivas essas que se acentuam na medida em que se dá a exploração estratégica da expansão do varejo digital por meio do marketplace.

Além disso, a B2W vem captando bilhões em investimentos, com aporte de R$ 4,4 bilhões de sua principal acionista e controladora nos últimos cinco anos. O dinheiro é investido no aprimoramento das plataformas de e-commerce, serviços de logística e integração digital.

Recentemente, a companhia começou a abrir as portas para o omnichannel, integração total entre lojas físicas e digitais, uma tendência de mercado voltada para a experiência do cliente. O primeiro passo foi a possibilidade de o cliente comprar no e-commerce e receber o produto nas lojas físicas, prática já adotada por outras companhias multicanais.

Últimas notícias

A expansão da Americanas não se restringe ao varejo digital. A empresa segue seu plano de abrir 800 novas lojas entre 2015 e 2019. Para alcançar o objetivo, o plano é, até o final de 2019, abrir mais 224 unidades, de acordo com declaração do diretor financeiro, Carlos Padilha, em maio de 2019.

O plano de expansão inclui o projeto de explorar o mercado de conveniência, instalando lojas na rede de postos de abastecimento da BR Distribuidora. Seriam 40 lojas abertas neste segmento. O investimento no primeiro trimestre de 2019 foi de R$ 207,7 milhões.

Apesar de todo o crescimento, a companhia teve, no entanto, um prejuízo líquido de R$ 53,5 milhões no primeiro trimestre de 2019. No ano, porém, a empresa obteve lucro de R$ 59,2 milhões.

A receita em um ano, entre julho de 2018 e junho de 2019 foi de R$ 17,8 bilhões, com lucro líquido de R$ 393,4 milhões.

O ativo da companhia soma R$ 30,5 bilhões, com R$ 17,2 bilhões no circulante, com dívida líquida de R$ 9,3 bilhões e Patrimônio Líquido de R$ 4,8 bilhões, o que significa que a empresa precisa de mais que a robusta geração de caixa nos próximos anos para melhorar seus fundamentos financeiros. Com a atual rotina de lucros anuais, seriam necessários mais de 23 anos para pagar a dívida não corrigida.

Não chega a ser, necessariamente, um problema, uma vez que o viés da companhia é de investimento e expansão, o que justifica o alto grau de endividamento, e, consequentemente, de endividamento. Além disso, a empresa tem liquidez corrente de 2,27, o que significa que a relação entre geração de receitas e pagamento de passivos no curto prazo é de 2,27 por 1.

O alto endividamento da companhia é explicado, em parte, pelo alto investimento na B2W, necessário para manter o grupo competitivo e defender seu share em um mercado em que a competição é acirrada e está sempre sob a ameaça de novos entrantes. O investimento em tecnologia e qualificação da experiência do consumidor é mandatório no setor.

Os investimentos em tecnologia e expansão dos canais vêm trazendo bons resultados. Se, em dezembro de 2015, a empresa possuía pouco mais de R$ 20 bilhões em ativos, alcançara R$ 28 bilhões três anos depois. No mesmo período, o patrimônio líquido saltou de R$ 1,7 bilhão para quase R$ 5 bilhões. A dívida líquida saltou de R$ 8,8 bilhões para quase R$ 14 bilhões, o que mostra melhora progressiva na relação entre dívida líquida e patrimônio líquido.

A receita líquida vem se mantendo num patamar entre 17 e 18 bilhões de reais desde o segundo trimestre de 2015, graças ao equilíbrio entre investimentos, expansão digital e um mercado resistente às variações macroeconômicas.

LAME4

A cotação da LAME4 tem um histórico de crescimento desde a crise de 2009, quando chegou a ser vendida a R$ 2,72. Em outubro de 2016, chegou a ser vendida por R$ 21,03, formando, desde então, um suporte em R$ 13,79 e uma resistência em R$ 20,57. A ação fechou em 9 de setembro cotada a R$ 19,67.

As ações da Americanas vêm acompanhando a trajetória de crescimento da companhia, fechando no azul desde 2014, quando valorizou-se 40,58%. Entre junho de 2018 e julho de 2019, a valorização foi de 29,24%.

Apesar da trajetória de alta da LAME4, o VPA ainda é 2,98, o que significa que a ação está apreciada, porém não exageradamente. Vale ressaltar que o valor de venda da companhia não se restringe ao PL, incluindo atributos como valor da marca e potencial de geração de receitas.

Sendo assim, no longo prazo, a companhia pode se valorizar, graças aos investimentos feitos em expansão. No entanto, é preciso ficar atento às notícias relacionadas ao mercado de varejo, que é um setor altamente competitivo, além dos sinais da economia brasileira, que podem gerar impacto sobre o consumo.

Quanto aos dividendos, quem busca uma boa vaca leiteira terá que esperar. Além da óbvia razão das margens do varejo serem tradicionalmente apertadas, a necessidade de fazer investimentos é mais uma rotina do que uma estratégia. A margem Yield da companhia é de apenas 0,4% anual.

Vale a pena investir?

Para investir na LAME4 é preciso levar em conta alguns aspectos:

– o potencial de remuneração do capital investido é baixa e sem perspectiva de crescimento no curto e no médio prazo;

– o potencial de valorização do capital está diretamente relacionado ao preço de compra e à visão do crescimento no longo prazo.

Em outras palavras, você pode compor a sua carteira com ações da Americanas, mas a recomendação é comprar a um preço próximo aos R$ 14,00, pensando em valorização no longo prazo.

Será que a hipótese dos mercados eficientes é válida?

mercados eficientes

Quando falamos de bolsa de valores, muitas são as perspectivas possíveis para enxergar meios diferentes de aplicar o seu capital. Nesse sentido, podemos falar, de um modo geral, em Investidores e traders.

Investidores são aquelas pessoas que aplicam o seu dinheiro na compra de ações de empresas que julgam possuir excelentes fundamentos econômicos, após uma análise criteriosa, tanto dos números passados e trajetória de crescimento da empresa quanto de fatores mais subjetivos, como a qualidade do time executivo dessa empresa. Um investidor busca se tornar sócio da empresa a longo prazo, participando, de fato, dos riscos do negócio e dos lucros obtidos.

Por outro lado, o trader é essencialmente um especulador do mercado financeiro, que busca tão somente negociar com ações, beneficiando-se da volatilidade dos preços para entrar e sair de operações de curto prazo com lucros significativos. O trader também tem a sua importância no mercado, visto que, devido ao volume de negociação muito maior, é ele que dá liquidez ao mercado.

Independentemente dessas duas perspectivas, o padrão que liga as duas é o objetivo de obter ganhos satisfatoriamente acima do mercado, de modo consistente e sistemático. Essa é uma visão que desde há muito tempo é contestada por supostos especialistas, que citam primordialmente a Hipótese dos mercados eficientes, segundo a qual o preço de um ativo financeiro no mercado em um dado momento já reflete todas as informações disponíveis naquele momento, tornando impossível, portanto, saber algo a mais que garanta um retorno acima da média.

 

O mercado é mesmo tão eficiente assim?

 

A hipótese dos mercados eficientes parece tão atrativa, em um primeiro momento, pois cria uma falsa percepção de ordem em um mecanismo que sempre parece aleatório para a mente humano e que é de dificílima compreensão real: O mercado.

mercados eficientes        A “mão invisível”, como dizia Adam Smith, que aloca preços e ativos em sincronia, casando as preferências subjetivas de cada agente do mercado, carrega em si mesma a ideia da aleatoriedade. De fato, é impossível compreender completamente como um mecanismo de sucessivas interações, guiado apenas pelas vontades individuais de cada um dos negociadores, pode agir de modo mais eficiente do que um planejamento central. Nesse sentido, a teoria do mercado eficiente acaba tendo aceitação pois gera um certo conforto cognitivo ao ligar o mecanismo, ainda incompreendido, de mercado, a algo fácil de se entender, a ideia da eficiência suprema, como uma orquestra invisível por trás do mercado que age com perfeição.

Entretanto, na prática, a aleatoriedade sempre está presente. Existem diversas ineficiências que podem sim ser aproveitadas pelo investidor inteligente e perspicaz que não segue a manada e sabe pensar de modo independente.

O próprio Warren Buffet, considerado há décadas o maior investidor do planeta, já chegou a dizer que se a hipótese dos mercados eficientes fosse verdadeira, ele não passaria de um mendigo com uma canequinha na rua.

De fato, se pararmos para pensar, essa teoria se subsume logicamente a duas premissas que são extremamente difíceis de serem verificadas na prática:

 

– Todas as informações de todas as empresas e do mercado estão disponíveis imediatamente para todos os participantes, simultaneamente.

– Essas informações são valoradas pelos participantes do mercado do exato mesmo modo, chegando a conclusões idênticas

 

Apenas um breve raciocínio sobre essas duas premissas já nos permite perceber a falácia da hipótese do mercado eficiente. Cada pessoa é inerentemente diferente, sendo impossível que todos tirem sempre as mesmas conclusões de um determinado conjunto de dados. Na realidade, a maioria das pessoas tende a saltar para conclusões precipitadas em uma atividade de risco, como o investimento, na qual sempre há um grau de pressão. Essas conclusões precipitadas e impulsivas muitas vezes acabam gerando uma reação em cadeia na qual cada investidor toma uma determinada decisão única e exclusivamente porque esta vendo que diversos outros investidores já tomaram aquela decisão antes dele, e não porque haja uma lógica por trás dela que a embase.

É exatamente assim que ocorre o efeito manada, responsável por muitas das crises econômicas que a humanidade já vivenciou ao longo da história. Esse é o mesmo motivo pelo qual o investidor que permanece fiel à voz da razão e da lógica, mesmo em meio ao caos do mercado, consegue enxergar aquilo que as massas em desespero não conseguem e, com isso, obter retornos muito acima da média.

Vale a pena investir em ações da Klabin?

Ações da Klabin

Indo direto às devidas apresentações, a Klabin, empresa cujo negócio principal é papel e celulose, é a maior produtora e exportadora do Brasil de papéis para embalagem, com 18% do mercado nacional, assim como a líder em produção de sacos industriais e embalagens de papelão, onde detém 50% do mercado interno.

Ações da klabin

A empresa, além das dezessete unidades industriais no Brasil, opera na Argentina e nos Estados Unidos, além de possuir escritórios comerciais em diversos outros países.

Além dos produtos já referidos, a empresa atua no ramo de toras de madeira, além de ter ramificações industriais e comerciais nos setores de alimentos, produtos de higiene e limpeza, bebidas, eletroeletrônicos, cimento, farinha de trigo, sementes e produtos químicos.

Trata-se, portanto, de uma matriz bem eclética de negócios. No começo, todavia, a Klabin era uma produtora de materiais para escritório, expandindo-se no mercado de papel na década de 30 do século passado. Foi já na segunda metade do século XX que começou a diversificar sua atividade, tendo aberto capital na Bolsa em 1979.

Atualmente, bem reposicionada estrategicamente no ramo de papel, voltando-se para um mercado não afetado pela mudança do perfil de consumo de materiais de escritório, em decorrência do avanço digital, a empresa tem forte ênfase em políticas sustentáveis, associando seu negócio com madeiras ao replantio de 230 mil hectares de florestas.

Histórico recente da Klabin

No início de agosto, foi noticiado que a Klabin investiu, só no segundo trimestre de 2019, um montante de R$ 581 milhões. No acumulado no primeiro semestre, o total foi de R$ 877 milhões.

O principal destino dos investimentos foi o projeto Puma II, que recebeu aporte de R$ 288 milhões. O valor é ínfimo ante a previsão de investimentos de até R$ 9 bilhões previstos até 2023, que darão vida ao projeto de ampliação da produção de papéis para embalagem.

Segundo a empresa, ao final do primeiro semestre, a empresa já tinha 85% dos processos chave para o funcionamento da nova linha de produção contratados. A expectativa é de que a capacidade instalada tenha um incremento de aproximadamente 55%.

Percebe-se, pois, que a empresa tem um perfil expansionista e de alto investimento. Por essa razão, apesar da forte capacidade de geração de caixa, a empresa tem um alto endividamento, consequência da necessidade de financiar os investimentos da companhia.

A dívida bruta da Klabin é de R$ 24,6 bilhões, de acordo com o balancete de 30 de julho de 2019, representando 71,7% dos direitos da empresa, que somam R$ 34,3 bilhões.

Na frente da geração de caixa, a empresa teve um faturamento líquido no período julho/2018 a junho/2019 de R$ 10,7 bilhões, mantendo a tendência de alta constante, que se mantém trimestre a trimestre, desde 2010, quando a receita batia na faixa dos R$ 3 bilhões. Nos últimos cinco anos, a receita líquida cresceu 19,9%.

O lucro líquido, no entanto, foi de apenas R$ 836,8 milhões no período de 1 ano, até 30 de julho de 2019. No segundo trimestre do ano, o lucro foi de somente R$ 70,2 milhões, mesmo assim, melhor que o primeiro trimestre, quando teve um prejuízo de R$ 196 milhões.

Em outras palavras, a empresa vem aproveitando sua forte geração de caixa para financiar seus investimentos, o que reduz a lucratividade do negócio. No entanto, a expansão do negócio tende a valorizar o capital investido no longo prazo. Um bom indicador é que a margem bruta atual é de 40,2% e a margem Ebitda da empresa é de 27%.

KLBN3

A KLBN3, ação da Klabin, chegou a ser cotada a R$ 3,39 em 2007, no melhor momento da economia brasileira. Nos anos subsequentes, mergulhou em um patamar abaixo de R$ 1,00.

A partir de 2012, passou a apresentar trajetória de crescimento consistente, até pegar carona na onda especulativa e alcançar R$ 8,18 no início de 2016, oscilar para baixo e voltar ao patamar de R$ 8,34 em agosto de 2018, para, então, iniciar uma trajetória de queda acentuada, chegando a R$ 3,54 em setembro de 2019.

De acordo com o mercado financeiro, o valor da companhia é de R$ 19,15 bilhões. São 5.409.800.000 ações distribuídas na Bolsa. O VPA da KLBN3 é de apenas 1,10, o que significa que o valor de mercado da companhia é quase igual ao seu valor patrimonial.

A liquidez corrente da empresa é de 4,84, o que significa total capacidade de pagamento do passivo de curto prazo sem afetar o fluxo de caixa da empresa, o que garante suporte ao apetite investidor da companhia.

A estimativa da empresa é de que o Dividend Yield seja de 5,4%, o que só vem sendo possível pelo pagamento JCP alto, o que tem, frequentemente, mantido os proventos num patamar superior ao lucro líquido.

Vale a pena investir?

Para quem investe em empresas, tornar-se sócio da Klabin parece uma ótima opção, contanto que a visão seja de ganhos expressivos no longo prazo.

A ação da empresa está bem barata e pode ampliar a trajetória de queda, chegando a um preço ainda melhor. Você pode esperar por um preço melhor ou comprar agora. Segundo a BB Investimentos, a KLNB3 está entre as ações que podem valorizar acima de 60% em um ano a partir de setembro de 2019.

Para quem pensa em ter forte ganho sobre o capital no curto prazo, a ação da Klabin compensa. Quem quer se tornar sócio da companhia, com visão de longo prazo, pode acabar proprietário de uma bela vaca leiteira, que unirá valorização a pagamento de proventos.

É claro que a recomendação é sempre diversificar a carteira, mas a KLNB3 é, no momento atual, uma ótima opção para quem que ganhar dinheiro no curto ou no longo prazo.

Quem também compartilha essa impressão é o estudo do Itaú BBA publicado em agosto de 2019, que também recomenda as ações da Klabin como investimento focado no longo prazo, levando em consideração a expectativa da ativação do projeto Puma II em 2022.

Deixando claro que essa é apenas uma visão do investimento e que você deve sempre buscar múltiplas fontes de informação e análise para poder estabelecer sólidas referências para tomar suas decisões.

 

O método de investimentos de Peter Lynch

Peter Lynch

Falar sobre o método de investimentos de Peter Lynch nos remete a um fundamento que temos tratado abundantemente por aqui. Vamos um pouco além da análise fundamentalista para entender como o Fundo Fidelity Magellan obteve retorno anual, durante a gestão de Lynch, 13,4% acima do mercado.

Na filosofia de Lynch, análise fundamentalista é essencial, mas é preciso dar um passo além. Segundo o gestor de investimentos, que durante 13 anos seguidos teve rentabilidade 26% maior que o S&P500, mais abrangente índice da Bolsa de Valores dos Estados Unidos, é preciso entender o negócio da empresa.

Peter Lynch
Peter Lynch

Nós podemos ir mais além e concluir que devemos refinar o conceito de investimento no mercado de capitais. Vamos tentar fazer isso da forma mais clara possível.

Toda empresa que se preza define claramente qual é o seu negócio. Essa definição, feita de forma prévia, vai orientar todas as decisões estratégicas ao longo do tempo. O negócio da Petrobras, por exemplo, é a cadeia do petróleo, incluindo prospecção, extração, refino, processamento e distribuição.

Com base nessa definição, o gestor terá uma visão clara do ambiente de negócios em que a empresa vai competir. Em outras palavras, estamos falando do tamanho do mercado, dos cenários econômicos, possíveis produtos substitutos que possam aparecer, do tamanho e diferenciais dos concorrentes, das características e regras da exportação, mercados emergentes, etc.

Com base nesse conjunto de informações, a empresa vai definir qual sua estratégia de investimentos e crescimento, assim como a lucratividade esperada. Tal condição conferirá um maior controle sobre as variáveis estratégicas do negócio, aumentando as possibilidades de êxito, levando a que as metas possam ser alcançadas com mais lógica.

Invista no negócio e não em ações

Você já parou para se perguntar sobre as razões que justificam as escolhas de investimentos feitas pelas pessoas na Bolsa de Valores?

É raro encontrar alguém que investe nos fundamentos da empresa. Muitas vezes o mercado de ações nos dá a impressão de que estamos numa casa de apostas.

Não estamos dizendo que isso está errado. Pelo menos não de todo. Faz todo sentido alguém analisar um gráfico e estabelecer posições de compra e venda de ações de acordo com os suportes e resistências apresentados ao longo de um determinado período.

Porém, faz muito mais sentido ainda se alguém investe em uma ação com viés de longo prazo com base na análise fundamentalista, que oferece uma visão privilegiada do futuro da companhia e do preço de suas ações com base em indicadores financeiros atuais.

Grande parte dos mestres em investimentos que admiramos recomendam a análise fundamentalista das empresas e o foco em value investing. Outros vão além e procuram oportunidades com base na conjuntura, como é o caso de John Templeton, que ganhou fortuna fazendo a leitura correta das oportunidades geradas nos Estados Unidos pela Segunda Guerra Mundial e pela força de recuperação do Japão no período pós-guerra.

A grande sacada de Lynch é investir no negócio. Quando você abre um negócio, é natural que você tenha conhecimento de todas as variáveis que impactarão suas possibilidades de sucesso ou fracasso. Será que, quando as pessoas resolvem investir numa empresa, elas buscam ter esse mesmo conhecimento?

Partindo do princípio de que Peter Lynch tem entre suas premissas de investimento o longo prazo, faz todo sentido que você tenha a visão do dono, porque ao comprar uma ação você se torna dono de uma pequena parte desse negócio.

Sendo assim, a principal característica de Lynch, seu maior diferencial, era investir em negócios que ele entendesse, de modo que ele pudesse estudá-los a fundo, traçar cenários e investir com lógica.

Small Caps e a lição de casa

Lynch é reconhecido como investidor em Small Caps, que são as chamadas ações de baixa captação na Bolsa de Valores. O problema básico dessas ações é que a baixa demanda pode deixar você preso a elas, sem conseguir obter um preço razoável na venda ou mesmo realizar os lucros.

Não, porém, se essa empresa tem uma trajetória ascendente de faturamento, receita líquida e lucros. Não se ela tiver um bom market share, produtos e serviços inovadores, boa governança e uma gestão hábil. Não se o mercado em que ela atua estiver em crescimento e ela tiver vantagens perceptíveis em relação à concorrência.

Essa empresa, mais cedo ou mais tarde, estará na mira da cobiça do mercado. Em um momento futuro, é possível afirmar que ela se tornará uma grande pagadora de dividendos, já que sua operação é lucrativa e, mesmo que comprimida pelos investimentos, sua margem pode se ampliar no longo prazo, na medida em que esses investimentos sejam recuperados e passem a impactar os resultados do negócio.

“Nunca invista em uma companhia antes de ter feito o dever de casa sobre as perspectivas de crescimento, da sua condição financeira, seus planos de expansão e assim por diante.” (Peter Lynch).

Tudo isso não é, todavia, suficiente para que você decida a compra. É preciso, outrossim, fazer o que Lynch chama de “lição de casa”.

Um dos itens do dever de casa recomendado por Lynch é calcular o PEG ratio, que indica se o preço da ação já reflete a previsão de lucro futuro. Sempre lembrando que o preço da ação reflete uma expectativa e não o valor patrimonial ou de venda da companhia. Caso o PEG ratio seja alto, isso significa que o mercado pode ter avaliado a ação com otimismo exagerado.

Isso não quer dizer que a ação não possa se valorizar no longo prazo, mas que o preço dela pode cair no curto e no médio prazo, sendo possível comprá-la mais barato. Nesse caso, como todos os outros mestres em investimentos, o mandamento é ter paciência para esperar o melhor preço.

A importância de avaliar o mercado em que a empresa atua

Ainda falando do dever de casa, um dos fundamentos defendidos por Lynch é que o investidor deve calcular o peso da dívida nas perspectivas da empresa.

Para isso, é estabelecida a relação entre a dívida e o patrimônio da empresa. Quanto maior for a proporção da dívida em relação ao patrimônio, menos atraente deve ser o negócio.

No entanto, não basta obter esse indicador de forma individual, porque alto endividamento, não raro, representa altos investimentos. Nesse caso, é preciso comparar a dívida da empresa com a dívida das companhias concorrentes. Pode acontecer de todas as empresas do setor terem um endividamento nivelado, já que todas estão investindo em expansão e precisam financiar o crescimento.

Além disso, quando o endividamento do setor está nivelado você pode concluir que não se trata de um problema de gestão. Por outro lado, isso indica, também, que a competitividade da empresa não estará afetada frente às concorrentes.

Diante de tais observações, fica evidente a razão pela qual Lynch é considerado um dos maiores gestores de investimentos em ações dos Estados Unidos. Fica evidente, também, que investir em negócios assegura uma grande vantagem competitiva frente aos outros investidores.

Ações do Banco Itaú: uma boa opção para o longo prazo?

ITUB4

Em primeiro lugar, vamos fazer as devidas apresentações. O Itaú Unibanco é o maior banco privado brasileiro, tendo a sua sede na cidade de São Paulo. Surgiu da fusão entre dois gigantes do mercado financeiro, Itaú e Unibanco, em novembro de 2008, que originou o maior grupo financeiro do Hemisfério Sul, assim como um dos 20 maiores do mundo em valor de mercado.

Além de abrir seu capital na BM&F Bovespa, o grupo tem ações listadas, também, na Nyse, Bolsa de Nova Iorque, Estados Unidos. Está presente em mais de 20 países por meio de 5 mil agências, além de 26 mil caixas eletrônicos e pontos de atendimento. A empresa opera nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia.

itub4

Entre os países em que atua estão: Argentina, Chile, Estados Unidos, México, Uruguai, Espanha, Portugal, Reino Unido, Bélgica, França, Suíça, China, Japão e Emirados Árabes Unidos.

O Itaú tem em sua carteira de ativos a REDE, segunda maior adquirente de cartões do país, além de atuar no ramo de seguros, em parceria com a Porto Seguro, tradicional seguradora brasileira, oferecendo cobertura residencial e automobilística, sendo que a Porto é a líder no ramo de seguro de autos no mercado brasileiro.

Em 2017, o Itaú alcançou a posição de maior receita entre todos os bancos da América Latina, isso depois de, em 2016, ter comprado por R$ 710 milhões as operações de varejo no Brasil do Citibank. Em 2018, o banco tornou-se sócio da XP Investimentos, maior corretora de investimentos do país, com forte presença no segmento de serviços tecnológicos. A operação movimentou quase R$ 6,5 bilhões, resultando na compra de 49,9% da XP, com 30,1% do capital com direito a voto.

Embora não tenha adquirido o controle da XP, o banco ampliou sua participação no mercado de investimentos, tornando-se, nesse segmento, competitivo em tecnologia, serviços digitais e experiência do cliente, que é a nova diretriz do mercado, consolidada pela entrada das fintechs no mercado.

O banco segue investindo no conceito de plataforma digital e redução de custos, com o objetivo de se manter competitivo perante um segmento que não para de crescer no país, baseado na redução do custo ao cliente e em interfaces práticas e funcionais.

Só no primeiro semestre de 2019, o Itaú fechou 200 agências no país, com a promessa de continuidade desse processo, fazendo a migração gradativa das operações para os serviços digitais.

O grande desafio do Itaú no mercado nacional e internacional é conseguir se tornar competitivo em custos e serviços digitais, embora não se possa dizer que a revolução das fintechs seja uma ameaça grave ao domínio dos grandes bancos no mercado, sobretudo porque possuem, em particular o Itaú, uma estratégia de diversificação de portfólio, com ênfase na distribuição de produtos financeiros.

Histórico recente do Itaú

De qualquer forma, dados do Banco Central, publicados em maio de 2019, davam conta de que os quatro grandes bancos do país tinham participação de 78% do mercado de crédito e 76% do de depósitos, o que aponta para uma posição estratégica bastante consistente desse grupo de instituições financeiras.

Em 2018, o Itaú teve um lucro líquido de R$ 25,7 bilhões, superando em 3,15% o resultado do ano anterior, mostrando que a queda da taxa Selic não afetou a lucratividade do negócio. Ao contrário, as taxas de crédito ao consumidor e ao setor privado não acompanham, proporcionalmente, a variação para baixo da taxa básica, o que inclui para elevar os lucros dos bancos.

Nos últimos 12 meses, de acordo com o balanço de 30/06/2019, o lucro líquido do Itaú foi de R$ 25,7 bilhões. O patrimônio líquido vem crescendo regularmente desde 2010, quando terminou o quarto trimestre com pouco mais de R$ 50 bilhões na apuração dos resultados. No quarto trimestre de 2018, superou, pela primeira vez, a marca dos R$ 130 bilhões.

No mesmo período, o lucro líquido saltou de pouco mais de R$ 10 bilhões para a faixa dos R$ 22 bilhões.

ITUB4

A ITUB4 vem em forte trajetória ascendente desde janeiro de 2016, refletindo a reação do mercado ao cenário político daquele período. Desde então, saltou de R$ 10,63 para um patamar acima dos R$ 29,00 em agosto de 2019.

A cotação da ITUB4 em 11 de setembro de 2019 era de R$ 30,80 contra um VPA (preço da ação de acordo com o patrimônio líquido) era de R$ 12,83, com um P/VP de 2,4. Traduzindo, a ação estava sendo negociada por um preço 2,4 vezes superior ao patrimônio da empresa.

Segundo o último balanço, a previsão de rendimento com proventos é de 9%. O Itaú pagou, em relação ao lucro obtido em 2018, um total de R$ 22,4 bilhões, totalizando 87,2% do lucro líquido do grupo.

Vale a pena investir no longo prazo?

O Grupo Itaú é uma empresa sólida, com excelentes fundamentos, muita liquidez e alta geração de caixa. Seus bons fundamentos estratégicos, posição mercadológica e qualidade da gestão indicam que a situação do banco não vai mudar no longo prazo, pois tem grande capacidade de reagir às mudanças impostas pelos ventos trazidos pelo avanço tecnológico.

Vale lembrar que, embora o mercado precifique a ação a 2,4 vezes o valor de seu patrimônio, isso não implica dizer que está sobrevalorizada, haja vista o alto potencial de geração de receitas e lucratividade da operação. Com a agenda de lucros atuais, por exemplo, podemos dizer que o patrimônio do banco justificaria o valor atual da ação em 5 anos, o que faria com que, no médio prazo, a ação voltasse a se valorizar acima do patamar atual, o que não vai acontecer em razão da forte ênfase, como vimos (87,2% do lucro), na remuneração dos acionistas.

Bom, no curto prazo, para os acionistas, que podem ter um investimento bastante seguro com uma remuneração razoavelmente acima dos investimentos em renda fixa.

Ao que tudo indica, um bom preço para comprar a ação é um pouco abaixo dos R$ 27,00. Desde o início de 2019, parece que o preço da ITUB4 vem formando um suporte nessa faixa.

Comprando por esse preço, a perspectiva para o investidor é ter uma boa rentabilidade em proventos e, bem no longo prazo, ver a ação voltar a se valorizar. Logo, trata-se de um bom papel para compor carteira com visão de longo prazo, mas a dica de ouro é sempre ficar de olho no que está acontecendo nesse mercado, tendo como fio condutor o movimento de avanço das fintechs sobre a pizza que já foi quase exclusiva dos chamados “bancões”.